Maio 02

Etiquetas

Amãezónia, ter filhos é uma vida selvagem

Amãezónia, Ter filhos é uma vida selvagem
Diana Garrido e Rita M. Pereira
A vida não começa na maternidade. Nem acaba. E ser mãe é difícil como o raio.

As mães são como os chapéus, há muitas. Há tantas mães que dentro de cada mãe coexistem várias. As mães estão sempre lá e vão assumindo várias formas ao longo da vida dos filhos.

ff

As mães podem, surpreendentemente, ter várias formas num só dia, consoante o que o filho precisa, (ou provoca). Pensei num esquema complexo que pudesse organizar todas estas personas, mas cheguei a uma conclusão: mais vale simplificar, até porque hoje tive um dia infernal de birras e não vou conseguir mais do que isto (e a minha filha não pára de se levantar da cama).

A mãe que nunca grita
Esta mãe é incrível. Quase posso dizer que não é uma amãezónia. Ela tem uma capacidade única de gerir as suas emoções, as frases que saem da sua boca são proferidas num tom sempre baixo e nunca se exalta. É uma mãe zen. Mais do que controlada ela é muito cool, super descontraída e nunca está em stress, mesmo quando um dos filhos está prestes a estampar-se de patins contra um empregado de mesa com uma bandeja cheia de imperiais. Ao fim do dia ela nunca tem dores nas omoplatas, nem no pescoço. Pode ser que a sua natureza seja assim, mas também pode acontecer ter um filho tão pacífico que não lhe dê qualquer tipo de estremecimento. Há mistérios que devem permanecer assim.

A mãe que grita por tudo e por nada
Esta mãe ama os seus filhos de coração, mas precisa de gritar. Ela grita por todas as razões e assim vai deixando sair o vapor da panela de pressão várias vezes ao dia. Para sua própria sanidade mental. Se os putos se sujam, partem um copo, ou apagam o trabalho de uma semana do computador, elas gritam. Se eles regam a televisão, tropeçam num velhinho, ou tiram macacos do nariz, elas gritam. E se eles não querem vestir aquela roupa, se se recusam a tomar banho, ou estão sistematicamente atrasados, elas gritam também. Elas expressam-se logo e bem, não engolem sapos e assim andam muito mais leves. Além disso os miúdos sabem exactamente o que podem e não podem fazer.

A mãe que grita pouco, mas quando grita, até a barraca abana
A mãe que grita pouco é uma pessoa que tem grande prática em controlar emoções — mal o seu. Esta mãe engole grandes quantidades de sapos verdes e viscosos e é perita em contar até dez. Ela vai dando sinais discretos cada vez que o seu petiz pisa a linha e ele nem imagina o que o aí vem, porque esta mãe pode aguentar um mês inteiro sem gritar. O problema é que ela é como uma bebida com gás que foi chocalhada durante demasiado tempo. E portanto aquilo vai rebentar por algum lado. No dia em que esta mãe grita, as prateleiras saltam das paredes e o tema é falado no bairro durante uma semana. Quando isto acontece os miúdos soluçam durante 20 minutos e ela tem que tomar um benuron e ir para a cama. Ou beber um copo de vinho. Palavra de mãe.

 

Texto e ilustração: Rita

https://amaezonia.com/2017/04/28/tres-tipos-de-maes-em-modo-resumido/