Setembro 26

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Os últimos dias da morte

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(…) E para cada problema técnico há também uma solução técnica. Não temos de esperar pela Segunda Vinda de Cristo para vencer a morte. Dois cientistas podem consegui-lo num laboratório. Se a morte era tradicionalmente uma coutada de padres e teólogos, neste momento os engenheiros assumiram o controlo. Podemos eliminar as células cancerígenas com recurso a quimioterapia e nano-robôs. Podemos exterminar micróbios que se alojam nos pulmões usando antibióticos. Se o coração parar, podemos reanimá-lo com medicamentos ou choques elétricos e, se isso não resultar, poderemos fazer um transplante. (…).

 

A Declaração Universal dos Direitos do Homem não diz que os seres humanos têm o direito a viver até aos 90 anos. Estipula que todos os seres humanos têm direito à vida, ponto final, parágrafo. Esse direito não é limitado por um prazo de validade.

 

Em consequência disso, uma minoria cada vez maior de cientistas e filósofos tem vindo a falar de forma mais aberta, afirmando que o principal objetivo da ciência moderna é derrotar a morte e conceder aos seres humanos a eterna juventude. (…)

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Em 2012, Kurzweil (vencedor, em 1999, da National Medal of Technology and Innovation dos Estados Unidos), foi nomeado diretor de engenharia da Google e, um ano mais tarde, a empresa criou uma empresa subsidiária chamada Calico cuja missão estatutária é a de ‘resolver o problema da morte’. Recentemente, a mesma Google nomeou outro crente na imortalidade, Bill Maris, para presidir o fundo de investimentos da Google Ventures. Numa entrevista em janeiro de 2015, Maris disse: ‘Se me perguntarem hoje se é possível viver até aos 500 anos, eu direi que sim’. Maris sustenta as suas afirmações ousadas com muito dinheiro. A Google Ventures tem investido 36% do seu portefólio avaliado em dois mil milhões de dólares em star-ups ligadas às ciências da vida, incluindo vários projetos ambiciosos para prolongar a vida. Recorrendo a uma analogia do futebol americano, maris explicou que, na luta contra a morte, ‘não queremos avançar alguns metros, queremos ganhar o jogo’. Porquê? De acordo com Maris, porque ‘é melhor estar vivo do que estar morto.’

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in Homo Deus – História Breve do Amanhã, de Yuval Noah Harari, págs. 33-35