Janeiro 29

Etiquetas

Sejamos ridículos

amor1

Nos livros, como na vida, acreditamos nos amores à primeira vista.
Acreditamos no cheiro que nos vicia, no toque que nos envolve,
nas linhas retas onde somos heróis e princesas, poetas e trovadores, cumplicidades reencontradas,
enredos com banda sonora, sinestesia de olhares, respirações alinhadas ao ritmo de poemas.
Acreditamos desde 1732. Juntos, testemunhamos lágrimas, intrigas, paixão; amores impossíveis e drama, esperas e promessas.
Abraçamos juntos; esperamos juntos, até à última página.
Até ao final feliz.
Acreditamos em tudo menos em páginas deixadas em branco, com medo de errar a prosa.
Desde 1732, ridículos como o poeta, somos o chão que nos foge ao virar uma página intensa, o calafrio que nos assalta ao iniciar um novo capítulo, o pueril sonho que se ergue, a cada novo começo.
Somos as cartas de amor, escritas, rasuradas, dobradas e guardadas junto à expectativa mais alta.
Somos os olhos fechados a antever o beijo, o arrepio da palavra inventada, a imensa saudade de um abraço onde cabíamos,
como estrofes perfeitas.
Nos livros, como na vida, as melhores histórias são as que nos correm na pele, as que cortam a respiração, as que nos fazem sonhar, até à última frase, até ao ponto final.
Parágrafo.
Desde 1732, acreditamos que somos o que amamos.
Somos todas as pessoas. Somos livros.
Sejamos ridículos.

 

amor2

 

amor3

amor4