Setembro 06

Etiquetas

Um livro por dia | O Príncipe

Picture1

Todos vêem o que pareces, poucos percebem o que és.

 

O Príncipe foi escrito entre 1513 e 1514, numa altura em que se assistia ao nascimento do absolutismo régio, tendo resultado essencialmente da admiração desmedida do autor pelo príncipe César Bórgia, um astuto militar e político, filho do papa Alexandre VI.

Esta obra fundamenta-se em raízes históricas: uma vez analisado como nascem e se desenvolvem os estados, como se consolida o poder senhorial por meio de tentativas audazes e de recursos enganosos e estratégicos, por meio de promessas não cumpridas, o príncipe tem de se mover no seio do seu Estado e dos seus inimigos e é do êxito da sua ação que depende a sua vitória sobre os inimigos.

Tendo em conta estes dados, Nicolau Maquiavel diz que uma vez encontrado o caminho a seguir, ele tem de ser rigorosamente seguido, uma vez que para ele a arte de governar é uma técnica que tem de ser aplicada, já que põe em jogo o interesse geral e não individual, ainda que se situe no plano religioso ou ético. Segundo Maquiavel, a arte do governo está acima de todas as preocupações e, se houver necessidade de uma guerra para defender e conservar o Estado, esta deve ser feita. Por outras palavras, o governante tem de se identificar com os interesses gerais do Estado, uma vez que este está personificado na sua figura.

Além disso, a moral, segundo Maquiavel, deve ser adequada às exigências que são impostas pela orientação geral, devendo sujeitar-se a elas na medida que desta sujeição resulta a eficaz condução e conservação do poder.
Esta nova conceção, surgida no O Príncipe, dos deveres de todo o bom governante, assim como a ideia de que a arte de governar deverá ser concebida como uma técnica, vai de encontro à ética e à religião, uma vez que o Estado assume um papel preponderante de uma instituição que se situa acima de todos os interesses particulares, ainda que estes sejam do foro religioso, ético e moral.

Via Infopedia