‘Nobel da Literatura’ atribuído a Jorge Luis Borges

Jorge-Luis-Borges

‘A frustração de Jorge Luis Borges (1899-1986) e dos seus admiradores, por nunca ter obtido o Nobel da Literatura, terminou na passada quinta-feira, 11 de outubro, com a atribuição simbólica do prémio ao autor argentino, por um Comité Internacional de Escritores, em Buenos Aires.

“Não podendo sob qualquer pretexto permitir que este ano o Prémio seja declarado deserto por irresponsabilidade dos académicos que nos antecederam, um Comité Internacional de Escritores (CIE) assume a responsabilidade de entregar o Prémio Nobel da Literatura 2018 a Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedro”, leu o poeta e ator Esteban Feune de Colombi, disfarçado de “académico sueco”.

O artista argentino fez o anúncio nesta quinta-feira à noite, durante a inauguração do Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires (FILBA), numa resposta ao adiamento da atribuição do prémio, este ano, pela Academia Sueca, na sequência do escândalo de abusos sexuais e de fugas de informação, que levaram à demissão de sete membros do comité e à necessidade da sua reestruturação.

“O importante era o gesto, conseguir transmitir este gesto”, de atribuir, mesmo que simbolicamente, o Nobel da Literatura ao autor de “Aleph”, “e o desafio era concretizá-lo”, disse Feune de Colombi. “Se calhar ocorreu a muitos uma ou outra vez [fazê-lo], e o importante era conseguir concretizar a ideia e depois soltar esse gesto num evento literário”, explicou o porta-voz do CIE.

Composto por representantes de França, Reino Unido, Espanha, Egipto, Argentina, Brasil, Uruguai, México e Venezuela, o CIE reuniu uma dezena de membros, como a autora francesa especialista em arte Catherine Millet, fundadora da Art Press, o escritor Irvine Welsh (“Trainspotting”), o filósofo espanhol Fernando Savater e o autor de “Livrarias” Jorge Carrión, o argentino Alberto Manguel (“Embalando a minha biblioteca”), o vencedor do Prémio Gouncourt Mathias Énard (“Bússola”), o brasileiro João Paulo Cuenca (“Descobri que estava morto”), a mexicana Cristina Rivera Garza (“Caminhar com Juan Rulfo”) e o venezuelano Leo Felipe Campos (“El famoso caso de las cartas de Lucas Meneses”).’

 

 

Via Jornal Expresso