15 livros para os que gostam de viajar

lonely-planet-622112-unsplash

Se uma das resoluções que fez para 2019 foi a de viajar mais, não espere até chegarem aquelas férias especiais e comece a viajar já com as nossas 15 sugestões de livros. Afinal, como escreve Fernando Pessoa no seu Livro do Desassossego, “Para viajar, basta existir.”

PARA VIAJAR SEM SAIR DO SÍTIO

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

1. Viagem por África, Paul Theroux

Paul Theroux parte do Cairo rumo à Cidade do Cabo. Viajando através do mato e do deserto, descendo rios e atravessando lagos e países, um a seguir a outro – Egito, Sudão, Etiópia, Quénia, Uganda, Tanzânia, Maláui, Moçambique, Zimbabué e África do Sul -, visita algumas das paisagens mais deslumbrantes da Terra, e algumas das mais perigosas.

2. Uma ideia da Índia, Alberto Moravia

Do mais consagrado escritor italiano do século XX, o segundo volume da colecção de literatura de viagens, dirigida por Carlos Vaz Marques. «Quando Alberto Moravia percorre a Índia, em 1961, é um escritor famoso. Os romances que lhe dariam um lugar cimeiro entre os intelectuais italianos do século XX – “Os Indiferentes”, “A Romana”, “O Desprezo”, “A Ciociara” e “O Tédio” – já tinham sido publicados. (…) Em muitos aspectos, a Índia dos nossos dias já não será a Índia que Alberto Moravia visitou no princípio dos anos 60 do século passado. O escritor soube, no entanto, procurar nela os traços de uma identidade ancestral. Quase meio século depois de ter sido publicado (…), o que mantém este livro actual – para lá da prosa elegante de Moravia – é o mérito de escapar à pequena anedota circunstancial, que talvez lhe acrescentasse em colorido aquilo que lhe subtrairia em capacidade de ler os sinais profundos de uma cultura milenar.»
Carlos Vaz Marques

3. Comboio fantasma para o Oriente, Paul Theroux

Trinta anos depois de ter escrito O Grande Bazar Ferroviário (publicado pela Quetzal na sequência de O Velho Expresso da Patagónia), Paul Theroux revisita os lugares da sua grande viagem pela Ásia – e encontra um mundo em mudança acelerada. A viagem deste livro reconstitui um mapa prodigioso: o da antiga União Soviética, percorrendo a Geórgia ou o Azerbaijão, visitando o escritor e prémio Nobel Orhan Pamuk na Turquia, sobrevivendo ao comboio transiberiano, respirando o pó nas estradas do Paquistão até chegar à índia e, depois, à Tailândia, à Birmânia e ao Laos, antes de cruzar as rotas da China para chegar ao Japão.

Com Comboio-Fantasma para o Oriente, Paul Theroux confirma o seu lugar como o mais talentoso e criativo «escritor de viagens» do nosso tempo.

Viajar dentro da Europa

Este slideshow necessita de JavaScript.

4. Veneza, Um Interior, Javier Marías

«Veneza produz simultaneamente duas sensações na aparência contraditórias: por um lado, é a cidade mais homogénea — ou, se se prefere harmoniosa — de todas as que conheci. Por homogénea ou por harmoniosa entendo principalmente o seguinte: que qualquer ponto da cidade, qualquer espaço luminoso e aberto ou recanto escondido e brumoso que, com água ou sem ela, entre a cada instante no campo visual do espectador, é inequívoco, isto é, não pode pertencer a nenhuma outra cidade, não pode confundir-se com outra paisagem urbana, não suscita reminiscências; é, portanto, tudo menos indiferente. (…) Por outro lado (e aqui está o contraditório), poucas cidades parecem mais extensas e fragmentadas, com distâncias mais intransponíveis ou lugares que provoquem uma maior sensação de isolamento.»

5. Viagem a Portugal, José Saramago

Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos».

6. Roma, Nikolai Gógol

Roma é um fragmento do romance inacabado “Annunziata”, em que Nikolai Gógol trabalhou entre 1836 e 1839. Numa carta de 1838, Gógol escreveu: “Quando, finalmente, voltei a ver Roma, oh, quanto mais bela me pareceu! Foi como se visse a minha pátria… Não, não é bem assim, não vi a minha pátria, mas a pátria da minha alma… aquela onde a minha alma tinha vivido antes de mim…” O fragmento foi publicado pela primeira vez na revista Moskvitiánin, em 1842.»

 

 

A ARTE DE VIAJAR

Este slideshow necessita de JavaScript.

7. A Arte da Viagem, Paul Theroux

Cinquenta anos de viagens celebrados por uma recolha de textos que formaram Paul Theroux enquanto leitor e enquanto viajante – um manual literário de viagem, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram, entre eles Theroux. A Arte da Viagem mostra toda a bagagem – espiritual ou física – que levaram e que trouxeram; os lugares por onde passaram, ou nunca passaram; os prazeres e os sofrimentos do viajante, os paradoxos da viagem, a solidão, o anonimato, o encontro com estranhos; a estrada enquanto vida; as cidades, os comboios, as paisagens; a aventura; e a tradição, a política e a pornografia na viagem; o tempo e o amor na viagem; e a viagem enquanto transformação. Neste extraordinário tributo encontramos, entre muitos, Vladimir Nabokov, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Mark Twain, Bruce Chatwin, Graham Greene, Isak Dineses, Anton Tchekov, Ernest Hemingway e o melhor de Paul Theroux.

8. A Arte de Viajar, Alain de Botton

Em A Arte de Viajar, Alain de Botton fala dos prazeres e desilusões de viajar. Tratando, entre outras coisas, de aeroportos, tapetes exóticos, romances de férias e minibares de hotel, este livro cheio de humor, surpreendente e provocador, revela as motivações escondidas, expectativas e complicações das nossas viagens por esse mundo fora. Acompanhando-o nesta viagem encontram-se escritores, artistas e pensadores que foram inspirados pela viagem em todas as suas formas: Gustave Flaubert, Edward Hopper, Baudelaire, Wordsworth, Van Gogh, Ruskin – todos eles preparados para nos darem as suas visões sobre o curioso negócio de viajar. O antídoto perfeito para aqueles guias que nos dizem que fazer quando lá chegarmos, A Arte de Viajar tenta explicar porque é que escolhemos tal sítio em primeiro lugar – e sugere, modestamente, como podemos aprender a ser mais felizes nas nossas viagens.

9. Yoga para pessoas que não estão para fazer yoga, Geoff Dyer

Muito mais do que um livro de viagens, Yoga para Pessoas Que não Estão para Fazer Yoga é uma viagem por paisagens reais – Amsterdão, Cambodja, Roma, Indonésia, Nova Orleães, Líbia, deserto do Nevada – e oníricas, por histórias, ideias, poemas e todos os labirintos da imaginação. Nesta prosa reverberante de inteligência, graça e de uma imensa comicidade, Dyer explora a noção de que experiências em diferentes lugares e diferentes tempos ocorrem, de alguma forma, em simultâneo; de que cada experiência é única, irrepetível, sem paralelo; observa os fenómenos (e as sensações) que suspendem distância e espaço, e as categorias de proximidade e distância. E, em busca de experiências exóticas e experiências-limite, Dyer procura o momento e o lugar perfeitos.

PARA OS QUE GOSTAM DE VIAJAR SEM RUMO

Este slideshow necessita de JavaScript.

10. Pela estrada fora, Jack Kerouac

Esta é a edição nunca antes publicada de Pela Estrada Fora, o texto que surgiu na forma original de rolo. Representa a primeira e mais genuína forma de expressão das ideias de Kerouac, o momento em que a sua visão e voz narrativa se juntaram sob a forma de um impulso contínuo de energia criativa.

Esta versão é mais dura, crua e sexualmente explícita do que o romance já publicado. Kerouac utiliza também o nome real dos seus amigos, incluindo Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs. Esta edição foi preparada por Howard Cunnell, juntamente com três outros estudiosos da obra de Kerouac. Cunnell estudou a história e origem do rolo e todas as suas transformações subsequentes até se tornar o texto publicado e conhecido. Pela Estrada Fora: O Rolo Original é, sem dúvida alguma, um dos mais significativos documentos na história contemporânea da literatura americana.

11. Viagens com o Charley, John Steinbeck

Rocinante, tendo apenas como companhia o cão-d’água Charley, partiu numa viagem de mais de três meses do Maine à Califórnia, por estradas de terra batida e vias rápidas, com paragens em grandes cidades e em esplendorosas paisagens naturais, atravessando quarenta Estados norte-americanos. Com um olhar de algum humor e muito ceticismo, tomou o pulso a um território de contrastes e desafios prementes e produziu uma reflexão crítica que é também uma reunião de memórias, um autorretrato de um homem que até então pouco assumira na sua obra como autobiográfico. Viagens com o Charley foi lançado em meados de 1962, meses antes da atribuição a Steinbeck do Prémio Nobel da Literatura, e alcançou um êxito estrondoso. Permanece hoje como uma das suas obras mais surpreendentes, onde o discurso diarístico se enlaça com o ficcional e onde se sente ressoar um alerta profético de uma enorme atualidade.

12. O velho expresso da Patagónia, Paul Theroux

Paul Theroux saiu de sua casa em Medford, Massachusetts, numa manhã de mau tempo e apanhou o suburbano para Boston. Aí chegado, apanhou outro comboio para Chicago, e assim sucessivamente, até ao percurso final no Velho Expresso da Patagónia, que o levou à mítica e remota região do Sul da América. Um relato de encontros, rostos e histórias. Uma obra-prima da literatura de viagens.

GRANDES VIAJANTES

Este slideshow necessita de JavaScript.

13. Viagens, Paul Bowles

Entre a imensa e majestosa solidão do Saara e a tranquilidade doméstica da sua ilha tropical no Ceilão – propriedade extravagante e selvagem que manteve durante alguns anos na costa de Weligama -, Paul Bowles percorreu incessantemente os caminhos do globo terrestre. Uma curiosidade inesgotável por todas as paisagens humanas e a atração por dois tipos antitéticos de paisagem geográfica, o deserto e a floresta tropical, alimentaram um fluxo constante de viagens, em que Bowles alternou a deslocação com a permanência em todos esses lugares que quis conhecer e onde escolheu viver por períodos maiores ou menores. Paul Bowles é um dos grande viajantes eruditos do século XX e o seu legado – musical e literário – sedimenta, em toda a sua originalidade, sofisticação e versatilidade, o património cultural universal.
Viagens, livro inédito e o primeiro de uma série que a Quetzal dedica a Paul Bowles, reúne relatos das suas aventurosas deambulações pela Europa, África, América Central e Ásia.

14. Viagens, Marco Polo

«Estas Viagens nasceram da colaboração de dois homens, Marco Polo, pertencente a uma família de mercadores venezianos, espírito prático, atento às realidades da vida, mas também destemido e aventureiro; e Rustichello da Pisa, autor de romances de cavalaria, cortesão, amante do fantástico, e que escrevia em francês, a língua mais corrente no mundo nobiliário e dos mercadores europeus. Um foi o viajante, outro, o cronista, no seu tempo, fim do século XIII, da mais espantosa viagem até então efetuada.
[…]
Num mundo em que se procura agora ultrapassar os máximos da crueldade fanática, a mensagem de Marco Polo, passados oito séculos, continua a ser bem atual e mantém todo o seu valor — uma mensagem de tolerância, de confiança nos homens, seja qual for o seu credo.»

15. Na Patagónia, Bruce Chatwin

O mais importante dos escritores de viagens e a mais bela das suas grandes narrativas. Uma viagem comovente pela Patagónia e terra do Fogo para descobrir que o fim do mundo não existe. E que a aventura recomeça.

A remota Patagónia, uma terra «no fim do mundo» é habitada por figuras errantes e exiladas, da gaúchos a foragidos, de mineiros peculiares aos índios da Terra do Fogo. Fascinado por este sítio desde a infância, o autor atravessa toda a região, desde Rio Negro até Ushuaia, a cidade no extremo sul, captando o espírito da terra, da sua história e da sua gente, e conferindo-lhe uma expressão poética e intensa. Num escrita prodigiosa, plena de descrições maravilhosas e histórias intrigantes, Na Patagónia narra as viagens de Chatwin por um lugar remoto contando histórias fascinantes que o vão atrasando no seu caminho.