Virginia Woolf | 6 livros essenciais

picture1

No dia de hoje (em 1882), nascia, em Londres, Virginia Woolf. Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, Virginia foi também uma pioneira nos estudos feministas, tendo sido uma das primeiras autoras a escrever sobre o assunto. Apesar do seu final trágico (suicidou-se a 28 de março de 1941, em Lewes),  Woolf continua a ser uma das autoras mais influentes do século XXI. Relembramo-la com 6 livros essenciais da sua obra.

1. Mrs. Dalloway

Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo – do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia – e que com ele se cruzam – como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental.

Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas – não os atos mas as sensações que eles despertam – fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.

2. Orlando – Uma Biografia

“Da magnífica residência dos Sackville-West, o castelo de Knole, Virginia faz a moldura da sua biografia fantástica; de Vita, herdeira de uma das maiores famílias de Inglaterra, o modelo do seu herói. Homem e depois mulher, mas sobretudo homem e mulher, Orlando poderia ter saído com todas as suas armas do cérebro do Aristófanes do Banquete (…) Virginia Woolf não se sente apenas tentada pela originalidade antropológica de Orlando. O que a interessa no personagem é a inumerável variedade de combinações possíveis que permite a ausência das obrigações humanas habituais. (…) Tesoureiro ou embaixador, perseguidor de raparigas ou musa de espíritos apaixonados pela beleza, melancólico ou exaltado, trocando as calças pelas saias ou refugiando-se na sua tebaida de campo para escrever o seu poema, a sua natureza dupla presenteia-o não com duas nem com dez, mas com cem vidas diferentes.” Monique Nathan

3. Rumo ao farol

Um dos livros mais importantes do século XX, Rumo ao Farol é também um dos romances mais conhecidos de Virginia Woolf.
A tranquila Mrs Ramsay, o trágico mas ao mesmo tempo absurdo Mr Ramsay, juntamente com os seus filhos e vários convidados, encontram-se de férias na Ilha de Skye.

Mrs Ramsay assume o papel de esposa e mãe perante os seus hóspedes: Lily Briscoe, a artista frustrada, Minta e Paul, o jovem casal apaixonado, e Charles Tansley, o misantropo estudante, que se encontra sob o seu fascínio. O desejo de James, o seu filho mais novo, é fazer uma viagem de barco até ao Farol.

A partir da expectativa da visita ao farol, Virginia Woolf constrói uma narrativa comovente sobre as complexas tensões e fidelidades existentes numa família.

4. Um quarto só para si

«Um Quarto Só Para Si, ensaio publicado em 1929, baseia-se em duas conferências subordinadas ao título “As Mulheres e a Ficção”, feitas no Newham College e no Girton College, em Cambridge, para um público feminino pelo qual Virginia Woolf sentiu uma certa empatia, ao contrário do que anteriormente acontecera em Oxford perante uma audiência masculina de jovens estudantes que classificou de ‘inexperientes, ignorantes quanto à poesia e à ficção, fazendo perguntas ingénuas’. Como se pode verificar no seu diário, a audiência que encontrou em Cambridge parecia ‘inteligente e interessada’. Mas é uma audiência que, quanto à sua realização pessoal, se confronta precisamente com as mesmas dificuldades de Virginia em jovem. Se lhe era permitido passar as manhãs no quarto a ler, a escrever ou a traduzir do grego, a meio da tarde tinha de se transformar na jovem bem-educada e participar nos rituais sociais, usar um vestido de cerimónia e conversar durante o chá de acordo com a tradição vitoriana.» Do Prefácio de Maria de Lourdes Guimarães

5. Diário – 1915-1926

Entre 1915 e 1926, Virginia Woolf escreveu regularmente e em grande detalhe sobre os pequenos e grandes acontecimentos do seu dia a dia – marcado no panorama nacional e internacional pelos esforços da Primeira Guerra Mundial e mudanças políticas sísmicas, e na esfera privada por perdas, conflitos, momentos de grande criatividade e também de grande sofrimento, ensombrados pela doença mental.

Este diário, anotado e enriquecido com cartas e ensaios de Virginia Woolf, permite-nos conhecer de forma íntima e sem filtros os pensamentos de um dos maiores nomes da literatura, com rasgos líricos surpreendentes e passagens de uma inteligência acutilante.

6. Diário 1927 – 1941

Sexta-feira, dia de Natal, 1931: «(…) Falei com o L. ontem à noite sobre a morte; a estupidez da morte; o que ele iria sentir se eu morresse. Ele abandonaria talvez a editora; mas disse que uma pessoa deve ser natural. E a sensação de velhice a invadir-nos: e o sofrimento de perder os amigos; e a minha antipatia pela geração mais nova; e depois raciocino que devo ser compreensiva. E agora estamos mais felizes.» Entre 1927 e 1941, Virginia Woolf viveu um dos seus períodos criativos mais fecundos e afirmou-se como uma das figuras de maior relevo dentro da sociedade literária londrina. Neste período foi um dos maiores expoentes de um conjunto de artistas e intelectuais empenhados na defesa da importância das artes e que ficou conhecido como o Grupo de Bloomsbury.

São desta época algumas das suas obras mais marcantes, nomeadamente Rumo ao Farol (1927), Orlando (1928) e Um Quarto Só Para Si (1929). Neste diário, somos convidados a conhecer as suas reflexões mais íntimas sobre o mundo e sobre a Humanidade, com a singularidade e universalidade que muito poucos conseguem alcançar.