Um amor para toda a vida

 

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Na vida, tal como nos livros, gostamos de acreditar no para sempre.

Há uma inequívoca sedução nos amores que as histórias eternizam.

Pedro e Inês, Romeu e Julieta, Heathcliff e Catherine, Baltasar e Blimunda

Corremos vidas e dedilhamos lombadas a acreditar em almas gémeas, em linhas contínuas e capítulos que são feitos à medida das nossas esperas.

Sublinhamos a fluorescente as coincidências e a gramática perfeita dos beijos, até que o sonho nos fuja dos medos e voe mais alto do que a dúvida.

Não consta que provoquem suspiros os amores cautelosos e a pele teima em não se arrepiar com as juras mornas.

Frida Kahlo e Diego Rivera, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, Henry Miller e Anais Nin

Suspiramos com as paixões que se agigantam para além das vidas de trazer por casa,  o arrebatamento do instante, a ilusão de mãos que encaixam como estrofes desbravadas pelo poeta.

Somos pelo exagero dos abraços que arrancam a roupa às metáforas e as fazem corar.

Queremos ser poemas únicos.

Evitamos os atalhos dos contos e suspeitamos das linhas retas, da piada fácil, do argumento preguiçoso, da frase cliché, do amor de marca branca.

André Gorz e Dorine, Jivago e Lara, Florentino Ariza e Fermina Daza

O que nos vicia e nos prende será sempre o tudo ou nada, os verbos enfeitiçados e a insustentável promessa da eternidade dos plurais.

Queremos que faça sentido, que faça sentir, que corra, que cante e que grite, que nos vire do avesso e nos roube o chão.

Na vida, tal como nos livros, a prosa tem de nos deixar nos lábios o gosto a verdade.

Elizabeth e Mr. Darcy, Tristão e Isolda, Bentinho e Capitu

Já quase todos sabemos como começa. A cada novo arrebatamento, a insuspeita certeza de que não haverá outro igual, nada que supere o voo e a vertigem daquele eterno sim.

Não nos contem o fim, vamos devagar, rumo ao para sempre, ao som de Vinicius:

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Desde 1732, a acreditar no para sempre com os portugueses.

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