Março 26

Dia do Livro Português | 6 curiosidades sobre os seus autores preferidos

tumblr_p1y54c4G8i1rsd7peo1_1280

via tumblr

 

Hoje, celebramos o Dia do Livro Português, uma data especial, criada pela Sociedade Portuguesa de Autores, com o objetivo de destacar a importância do livro e da língua portuguesa em todo o mundo. Neste mesmo dia, em 1487, foi impresso o primeiro livro em Portugal: “Pentateuco”, em hebraico, publicado por Samuel Gacon, em Vila-a-Dentro, Faro. Já o primeiro livro escrito em português – “Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto” – foi editado no Porto, dez anos depois, a 4 de janeiro de 1497, produzido pelo primeiro impressor luso, Rodrigo Álvares.

Em jeito de celebração, partilhamos consigo algumas curiosidades.

 

tumblr_oszhn1JhVR1tnzhx4o1_500

via tumblr

1. FERNANDO PESSOA E A SUA PAIXÃO POR ASTROLOGIA

A 24 de dezembro de 1915, Mário Sá-Carneiro escreve a Fernando Pessoa: “A sua incarnação em Raphael Baldaya, astrólogo de longas barbas, é puramente de morrer a rir.” Baldaya, um  dos heterónimo criado pelo autor de Livro do Desassossego, tinha a particularidade de se dedicar à astrologia e ser o autor de diversos textos, como por exemplo “New Theory of Astrological Periods”.

De facto, Pessoa ganhou “alguns tostões com a astrologia”, estabelecendo uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis. A Biblioteca Nacional, dispõe de alguns cartões, no seu espólio, com indicações de nome, data e hora de nascimento  – o que leva a supor que Pessoa traçava os mapas astrais de clientes, amigos e de todos os seus heterónimos. (via Público)

 

 

2. AGUSTINA BESSA-LUÍS, IRREVERENTE ATÉ NO CASAMENTO

É em “A Sibila” que Agustina Bessa-Luís aborda a “menorização” das mulheres no casamento, intitulando-as de “parasitas do homem e não companheiras”. Esta opinião acerca das “amadas servindo os seus senhores, tornadas abjetas à custa de lhes ser negada a responsabilidade”, não impediu que ela própria seguisse também os ofícios do matrimónio – ainda que no registo próprio e ousado que lhe pertencia.

Em 1945, a menina oriunda de uma família rica de Amarante, casou com um estudante, que conheceu através de um anúncio que colocou no jornal “O Primeiro de Janeiro”, onde anunciava que se pretendia corresponder “com pessoas cultas e inteligentes”. O facto mais curioso? Agustina casou envergando um vestido preto e um colar de pérolas, “como quem seguisse as mais estritas regras de Gabrielle Chanel” (via Observador).

 

 

3. DIANA DE AVELEDA, O OUTRO LADO DE JÚLIO DINIS

Joaquim Guilherme Gomes Coelho adoptou o pseudónimo de Júlio Dinis para publicar as suas obras, sendo as mais conhecidas “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Uma Família Inglesa”Todavia, um dos factos menos conhecidos é que Joaquim também foi Diana de Aveleda, utilizada para as narrativas mais sentidas e inocentes, ou até mesmo para algumas crónicas no Diário do Porto. Diana possuía uma personalidade própria, aparecendo como uma mulher culta que estabelecia correspondência constante com uma tal Cecília. Esta personagem fictícia ficou conhecida pela discussão sobre o que é “ser mulher”, mantida com o autor Ramalho Ortigão. (via Comunidade, Cultura e Arte)

 

 

image

4. CAMILO CASTELO BRANCO, ENCARCERADO POR AMOR

O clássico da literatura portuguesa, “Amor de Perdição”, foi escrito em quinze dias, no período de tempo em que Camilo Castelo Branco esteve preso. O escritor foi acusado de rapto e adultério, por seduzir e fugir com Ana Plácido -tendo a denúncia sido feita pelo marido desta, Manuel Pinheiro Alves. O crime foi divulgado em diversas fontes de informação da altura, tornando-se num caso mediático e apreciado pelos mais românticos. (via Comunidade, Cultura e Arte).

 

 

5. A ARTE SAGRADA DE COMER E BEBER DE MIGUEL TORGA

Ao longo da vasta obra de Miguel Torga, são várias as referências ou alusões a comida, denotando o seu sentido de partilha e a importância atribuída ao convivío em torno de uma mesa. Para Dina Fernanda Ferreira de Sousa, autora de “Sabores da Mesa na Obra de Miguel Torga”há uma certa sacralidade no “tempo de celebrar, de partilhar o pão, de provar o vinho” para o escritor (via Sapo Lifestyle).

Torga tinha sempre à entrada de sua casa uma garrafa de vinho do Porto, ficando particularmente aborrecido quando oferecia esse “sol engarrafado” a alguém que não o saboreava, considerando um desperdício bebê-lo de um trago. O vinho era encarado pelo autor de “Bichos” como um néctar sagrado.

 

11055

“a poesia está na rua” (1974), por vieira da silva. via gulbenkian

6. A POESIA SEMPRE ESTEVE NA RUA DE SOPHIA MELLO BREYNER

A poeta e escritora Sophia de Mello Breyner sempre foi conhecida pela sua atitude interventiva, denunciando ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Ainda antes do 25 de abril, a autora de “A Fada Oriana” e “Navegações”, integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos.

É no 1º de Maio que milhares de manifestantes gritam em Lisboa uma palavra de ordem, lançada pela própria Sophia, mais tarde imortalizada num quadro de Vieira da Silva: “A poesia está na rua” (via Público).

 

 

 

Que livro português vai ler hoje, para celebrar?