Abril 09

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Dia de Recordar Charles Baudelaire

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O pai era um homem de cultura e um amante de pintura, e levava-o, com apenas quatro ou cinco anos de idade, a apreciar a beleza das formas e das linhas. Pouco tempo passou até que, em 1827, perdeu o pai; mas o que mais lhe atormentou a infância foi o facto de a mãe ter casado com o general Aupick, que o enviaria para uma viagem por mar até à Índia, promovida para o fazer esquecer a carreira das Letras.

Pelo contrário, regressou cheio de imaginação e determinado a ser poeta. Desenvolveu também uma tendência para um estado de espírito de intensa melancolia e de natureza solitária. Com o capital herdado do pai, viveu como um típico dandy.

Em 1844 juntou-se a Jeanne Duval, relação que lhe trouxe muita infelicidade, ao ponto de se sentir tentado a suicidar-se. Mesmo assim, Jeanne foi motivo de inspiração dos poemas eróticos de Charles Baudelaire. Baudelaire torna-se conhecido como crítico de artes plásticas em revistas onde formula a sua conceção daquilo que deve ser a arte moderna.

Em 1847 escreve o seu único romance, autobiográfico, “La Fanfarlo”. Em 1852 descobre a escrita de Edgar Poe e decide traduzi-la. Ocupa-se deste escritor até 1865. Em Poe descobre pela primeira vez alguém com quem se identifica espiritualmente. As traduções e as críticas de arte aumentaram a sua reputação e levaram-no a publicar os primeiros poemas numa revista que era considerada o bastião conservador do Romantismo, o que motivou acusações de obscenidade.

Na primavera de 1857, saíram nove poemas em La Revue Française e três em L’Artiste, e em junho publica o seu primeiro livro, “Les Fleurs du Mal”, alvo de um escândalo na época, devido ao erotismo de algumas poesias. Esta obra valeu-lhe um processo judicial por ultraje à moral pública e às boas maneiras. Para pagar as despesas do tribunal colaborou em diversas revistas. Ainda em 1857 escreve “Petits Poèmes en Prose”.

Em 1861, publicou a segunda edição alargada e engrandecida de “Les Fleurs du Mal” mas omitindo os poemas banidos, publicados na Bélgica. Uma terceira edição viria a ser publicada em 1966. Em 1862, Baudelaire tinha declarado falência e as dificuldades económicas levaram-no ao desespero. Para escapar aos credores fez uma viagem à Bélgica em 1864. Em fevereiro de 1866, ainda na Bélgica, encontrava-se gravemente doente. Regressou a Paris e viria a falecer nos braços da mãe, em agosto do ano seguinte.

 

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A existência literária de Baudelaire é marcada por dois sonetos: Correspondances e L’Albatros. No primeiro prenuncia o simbolismo e todas as sinestesias do imaginário moderno, descobrindo “misteriosas correspondências”. L’Albatros representa a condição terrena do poeta, que não sabe viver nem acomodar-se na sua existência. Em 1868 é publicada a sua obra crítica, Art Romantique. Estes trabalhos de Baudelaire são a fonte da poesia moderna.

Os seus escritos representam uma combinação perfeita entre ritmo e música. Foi perseguido por obscenidade e blasfémia e mesmo depois da sua morte continuou a ser identificado pela opinião pública como símbolo de depravação e vício. Rejeitou a posição dos românticos e voltou-se para o seu interior numa poesia introspetiva em busca de Deus, sem uma crença religiosa, procurando em qualquer manifestação da vida, como a cor de uma flor ou o olhar cerrado de uma prostituta, a sua verdade significante. Com Deus e com as pessoas, tem um movimento de atração e rebeldia, uma espécie de ressentimento contra o criador.

Baudelaire é um crítico da condição humana do mundo moderno. E moderna, foi a sua recusa em admitir restrições à escolha dos temas para poesia. Escreveu em prosa as obras: “Les Paradis Artificiels”, “Opium e Haschisch”; “Petits Poèmes en Prose”; “Curiosités Esthétiques”; “Art Romantique”; “Le Spleen de Paris”, entre outras.

Dos seus desencontros nasce o tédio infinito, o tema dominante em “Le Spleen de Paris”, que se torna desejo atormentador de viajar em busca de coisas novas. Chamada pelo amor iludido, surge insistente a imagem da morte, também ela odiada e galanteada como a personificação maior da pequena morte do amor. Teme a morte e deseja-a como a única libertação e o reencontro consigo mesmo.

Depois do desaparecimento físico de Charles Baudelaire, as opiniões começaram a mudar e muitos poetas tornaram-se seguidores do movimento simbolista. No século XX, tornou-se reconhecido como um grande poeta francês do século XIX, tendo contribuído para revolucionar a sensibilidade e a maneira de pensar da Europa Ocidental.

(via Infopédia).