Abril 17

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“Todos os olhos estavam voltados para o topo da igreja”

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‘Foi para salvar o monumento, fortemente degradado e a desmoronar-se, que Victor Hugo começou a escrever, em 1831, Nossa Senhora de Paris, descrevendo a catedral, logo no primeiro capítulo, como “majestoso e sublime edifício”.

Nesta obra, considerada o maior romance histórico de Victor Hugo, o escritor narra a história do amor altruísta do deformado sineiro da catedral de Notre-Dame, Quasimodo, pela bailarina cigana Esmeralda. Com um estilo realista, especialmente nas descrições de Paris medieval e do seu submundo, o enredo é melodramático, com muitas reviravoltas irónicas.

O romance de Victor Hugo foi publicado pela primeira vez em Portugal, pela casa Bertrand, em 1832, um ano após a edição do original francês.

Esta história, que se tornou um sucesso instantâneo e fez de Victor Hugo o mais famoso escritor a viver na Europa, ajudou a mobilizar a gigantesca restauração do monumento no século XIX.

Uma passagem, do capítulo quatro do penúltimo volume do romance, foi amplamente citada na comunicação social como uma descrição profética do fogo de segunda-feira, que começou no telhado, tendo feito colapsar o pináculo da torre central.

 

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“Todos os olhos estavam voltados para o topo da igreja”, escreveu Victor Hugo como se descrevesse os milhões de pessoas que se reuniram ao longo das margens do rio Sena, enquanto a grande estrutura de mais de 850 anos ardia.

Victor Hugo estabeleceu a sua história romântica em 1482, durante o reinado de Luís XI, mas muito de “O Corcunda de Notre Dame” é uma reflexão sobre a arquitetura do próprio edifício.

Muitos críticos argumentam que a catedral é de facto a personagem central do romance.

Noutra famosa passagem da obra, Victor Hugo lamenta que aquele marco medieval no coração de Paris tivesse sido deixado ao abandono a desmoronar-se.

Notre-Dame encontrava-se em obras de restauro no exterior quando, na segunda-feira à tarde, deflagrou um violento incêndio que demorou cerca de 15 horas a ser extinto. A Procuradoria de Paris disse que os investigadores estavam a considerar o incêndio como um acidente.’

 

Via Jornal Expresso