Ser ou não ser… William Shakespeare

 

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O dia 23 de abril é quase cabalístico para a literatura: William Shakespeare e Miguel de Cervantes morreram ambos nesta data e no mesmo ano, 1616. Muitos outros autores famosos nasceram ou morreram neste dia, que passou a ser inscrito no calendário como Dia Mundial do Livro.

Aproveitando esta data especial, em que se celebram os livros e os 403 anos da morte de Shakespeare, continua ainda muito por saber sobre quem foi, por onde andou ou com quem se dava aquele que foi uma das figuras mais enigmáticas da literatura mundial,:William Shakespeare.

Sabe-se muito pouco sobre a sua vida. Há até quem defenda a tese de que Shakespeare nunca existiu e que as peças do dramaturgo inglês não terão sido escritas por ele, por revelarem um elevado grau de conhecimentos. Por esse motivo, muitos acreditam que é impossível que as obras tenham sido escritas por uma só pessoa e, ainda por cima, um provinciano com pouca instrução.

 

Descubra o enigma

Dizem alguns peritos na matéria que Shakespeare terá sido Edward de Vere, conde de Oxford, por ser alguém com mais instrução e experiência da vida na corte. Há até quem tenha defendido que Shakespeare era a rainha Isabel I disfarçada. Este enigma fez correr muita tinta e, até hoje, a dúvida permanece sobre quem foi, afinal, este dramaturgo de Stratford-upon-Avon. Diz-se que terá sido batizado a 26 de abril de 1564, e que era filho de Mary Arden (descendente de uma família importante) e de John Shakespeare, um homem respeitado na sua região e que terá ocupado cargos municipais. A sua data de nascimento continua a ser uma incógnita, apesar de se ter estabelecido 23 de abril como o dia do seu aniversário.

Ao que parece, fez o seu percurso escolar em Startford-upon Avon, onde estudou matemática, história, geografia, latim e grego. Casou-se, em 1582, com Anne Hathaway, com quem teve três filhos — Susanna, Judith e Hamnet.

A partir daí, a vida de Shakespeare torna-se uma incógnita. O que aconteceu entre 1585 e 1592 é um mistério. Não se sabe por onde andou e o que fez nestes “anos perdidos”, até que surge em Londres, onde trabalhou como ator e autor. Há quem afirme que tenha sido professor, o que justificaria o seu domínio da língua inglesa.

 

O mestre das palavras

Considerado o maior génio da literatura em língua inglesa, Shakespeare escreveu 37 peças teatrais – 10 tragédias, 10 dramas e 17 comédias –, além de 154 sonetos. As suas peças eram apresentadas em latim, tendo traduzido para inglês cerca de 3 mil novas palavras e usado mais de 7 mil de uma só vez nas suas peças, ou seja, sem as repetir e recorrendo a sinónimos.

Em toda a sua obra, Shakespeare usou 28.829 palavras diferentes, o que levou alguns investigadores a sugerirem que o escritor tinha um vocabulário constituído por cerca de 100 mil palavras – o maior de todos os tempos.

As peças mais conhecidas de Shakespeare são: Romeu e Julieta, Hamlet, Macbeth, Otelo, Rei Lear, Júlio César, Sonho de uma Noite de Verão, Henrique V, Péricles.

Morreu a 23 de abril de 1616, há exatamente 403 anos, em Stratford-upon-Avon, e o mais curioso é que nunca se chegou a saber qual era a sua verdadeira aparência. Mas, apesar de ninguém saber como é que ele era, reconhecemos de imediato uma imagem de Shakespeare assim que a vemos. É caso para dizer: ser ou não ser, eis a questão.