Abril 30

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Leonardo da Vinci | Anatomia de um génio

 

Da sua visão nasceram “obras icónicas, projetos de engenhos voadores e estudos inovadores no campo da ótica e da perspetiva”. De uma forma única para a sua época (século XV), dominou a ciência e as artes, conjugando-as e transformando-as em verdadeiras obras-primas que ainda hoje são reconhecidas como parte da História da criatividade humana. Para além dos trabalhos mais conhecidos, como “Mona Lisa” (1503) ou “A Última Ceia” (1495–1498), deixou-nos centenas de páginas com apontamentos sobre arte, natureza e a vida.

Há 500 anos, a 2 de maio, Leonardo da Vinci deixava-nos um legado gigantesco e a semente de ideias que, centenas de anos mais tarde, acabariam por se tornar realidade. Mas o que faz de Da Vinci um génio e, certamente, um dos homens mais brilhantes da História?

 

Um autodidata que teve a sorte de nascer bastardo

Filho de Piero da Vinci, notário reconhecido, e de Caterina Lippi, uma camponesa local, Leonardo teve, segundo Walter Isaacson, autor da biografia do artista, “a boa sorte de nascer fora do casamento”. Se fosse filho legítimo, seria obrigado a seguir as pisadas do seu pai, como todos os homens da família. O facto de ser bastardo permitiu-lhe seguir a sua curiosidade, desenvolvendo a sua veia de artista, arquiteto e inventor.

Frequentou, durante um breve período de tempo, uma escola para aprender matemática comercial. Para além disso, tudo o que aprendeu foi, em grande parte,  sozinho. Uma vez, assinou um documento como “Leonardo da Vinci, disscepolo della sperientia” (discípulo da experiência) e tinha, aparentemente, orgulho na sua metodologia única: “Vão dizer que, ao não aprender com livros, não vou conseguir expressar-me corretamente sobre aquilo que quero descrever”, escreveu num dos seus cadernos, “mas não sabem que os meus trabalhos requerem experiência em vez das palavras dos outros”.

Da Vinci dedicava horas aos seus seus cadernos, a estudar e dissecar o rosto humano, “cada músculo, cada nervo que influencia o movimento dos lábios”, explica Isaacson. Na altura em que trabalhou no quadro “Mona Lisa”, dissecara olhos humanos, retirados de cadáveres, percebendo que o centro da retina permite chegar aos detalhes do que vemos, enquanto que a região à volta é responsável pela perceção das sombras e formas.

O seu primeiro trabalho foi como produtor teatral. Aí, aprendeu sobre perspetiva e obteve a inspiração para desenvolver engenhos mecânicos. “Há provas de que [Da Vinci] testou as asas da sua máquina voadora para ver até onde conseguia levantar-se”, afirma o professor de Oxford, Martin Kemp. Para além disso, criou um modelo de um coração feito em vidro, com o intuito de explorar as suas funções.

Da Vinci aplicou o que aprendeu no teatro à arte e à engenharia. O seu nível de experimentação era extraordinário, “enfatizando que devemos depender da experiência e não apenas da teoria nos livros”, reforça Kemp.

 

Os elementos que fazem de Leonardo da Vinci um génio

À medida que vamos mergulhando na imensidão do seu trabalho, descobrimos novos detalhes que complementam a sua genialidade enquanto inventor. Para além das obras de pintura e arquitetura, e das invenções relacionadas com engenhos voadores, Leonardo da Vinci fez uma incursão pela engenharia. Em 1502, integrou a corte de Cesare Borgia (1475-1507) como engenheiro militar, desenhando armas, pontes, veículos blindados e edifícios públicos –  criações que, na sua maioria, nunca foram construídas.

Leonardo da Vinci foi um génio. Isaacson corrobora esta visão e garante à National Geographic que a combinação da arte com a ciência lhe oferecia uma criatividade fundamental em todos os seus trabalhos. “Da Vinci interessava-se por tudo. Queria saber tudo sobre o universo, incluindo a maneira como nós, humanos, encaixamos nele.”  

Nos seus cadernos, há vestígios de invenções nas mais variadas áreas, como o primeiro fato de mergulho, a primeira máquina para produzir moedas e até mesmo a primeira bicicleta. Porque é que as pessoas bocejam? Porque é que o céu é azul? “Foi a perseverança com que estudou, e o esforço para aprender por si mesmo, que fizeram dele um génio”, conclui Isaacson.

Um génio que, passados 500 anos, continua a ser mais atual do que nunca. Hoje, são centenas as obras de arte inspiradas nos seus trabalhos, não apenas na pintura, mas também na literatura.

Deixamos-lhe algumas sugestões dos livros mais populares, seja de ficção ou biografias, que exploram a vida singular de Leonardo da Vinci:

 

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1.O Código da Vinci, de Dan Brown

2. Leonardo e Miguel Ângelo, de Stephanie Storey

3. Os Cisnes de Leonardo, de Karen Essex

4. A Virgem das Amêndoas, de Marina Fiorato

 

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5. Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson

6. Leonardo da Vinci: The 100 Milestone, de Martin Kemp

7. Leonardo da Vinci – Vida e Obra, de Martin Kemp

8. Leonardo da Vinci –  The Complete Paintings, de James Frank Zoller 

 

‘Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.’

Leonardo da Vinci