Maio 17

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“Já não vivemos com os media, mas nos media”

Em agosto de 2017, o jornalista Noah Smith escreveu no Twitter: “Há 15 anos, a Internet era a escapatória do mundo real. Agora, o mundo real é uma escapatória da Internet.” Estas palavras, que depressa se tornaram virais nas redes sociais, espelham o que se passa atualmente no mundo, indo ao encontro da sugestão da visão de Mark Deuze, professor e investigador, que defende que “já não vivemos com os media, mas nos media“.

Hoje celebramos o Dia Mundial da Internet, uma data que pretende refletir sobre as potencialidades e desafios das novas tecnologias na vida dos cidadãos. Também na literatura se têm refletido os receios e previsões dos efeitos adversos do mundo digital. Escolhemos cinco sugestões.

Em 2017, o livro de Dave Eggers foi adaptado ao cinema, com a participação de Emma Watson e Tom Hanks. Veja o trailer aqui.

O Círculo (2016), de Dave Eggers

Mae Holland é contratada para trabalhar no Círculo, a empresa digital mais influente do mundo. Através de um inovador sistema operativo, o Círculo unifica endereços de e-mail, perfis de redes sociais, transações bancárias, construindo uma identidade virtual única no sentido da criação de uma nova era de transparência.

O que começa como uma fascinante história de ambição profissional depressa se transforma num romance de suspense que coloca algumas das mais fervorosas questões da atualidade: o papel da memória, o passado, a privacidade, a democracia e os limites do conhecimento.

Super Sad True Love Story (2010), de Gary Shteyngart

A obra de Shteyngart oferece-nos um retrato cómico e incisivo da América do futuro, ao mesmo tempo que narra uma história de amor que começa da forma mais improvável e estranha. Mais do que isso, Super Sad True Love Story é um arrepiante modelo daquilo que o futuro se pode tornar com o exagero das tecnologias. Nesta realidade, usam-se dispositivos móveis ao pescoço, que permitem rankings em tempo real das pessoas à nossa volta.

Quando Lenny Abramov, a personagem principal, vai a um bar com amigos, é informado que a rapariga bonita que ele andava a mirar classificou a sua “aparência masculina em 120 de 800 e personalidade em 450”. Outros dados que podem ser consultados vão desde níveis de colesterol até ao tempo estimado de vida, preferências sexuais ou religiosas, etc.

Veja também O Periférico, do mesmo autor, publicado em 2019 pela Saída de Emergência.

Neuromancer (2016), de William Gibson

Originalmente publicado em 1984, William Gibson previu uma rede global de milhares de computadores, sete anos antes da Internet tornar-se popular. Ainda que não seja uma descrição literal daquilo que o mundo digital é para nós hoje, o autor anteviu um mundo de comunicação numa altura em que pensar num computador pessoal era visto como uma espécie de luxo.

Também foi Gibson que popularizou o termo “ciberespaço” através das suas novelas, bem como previu a ameaça de hackers digitais, elementos que ajudaram a que recebesse o Prémio Hugo, Nebula e Philip K. Dick. 

O Jogo de Ripper (2016), de Isabel Allende

A escritora chilena estreou-se nos thrillers com a história de Amanda, uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online, em que ela participa, com outros adolescentes espalhados pelo mundo, com o objetivo de resolver os casos de homicídio de Jack, o Estripador. 

Quando uma série de assassinatos ocorre em São Francisco, Amanda e o seu grupo de amigos encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. Quando a sua mãe desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda terá de deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde. 

Em 2018, o bestseller de Ernest Cline foi adaptado aos cinemas pelo realizador Steven Spielberg. Veja o trailer aqui

Ready Player One (2018), de Ernest Cline

Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro.

Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.