5 Autores Portugueses que precisa de conhecer

O Dia do Autor Português, instituído em 1985, reconhece a importância do autor nas mais variadas áreas artísticas. Homenageia quem ajuda a tecer sonhos e a enriquecer a nossa cultura.  Este dia assinala igualmente o aniversário da Sociedade Portuguesa de Autores.

Celebramos consigo este dia tão importante para a arte em Portugal, partilhando consigo 5 autores portugueses que estão a dar que falar. 

Djaimilia Pereira de Almeida

Escreveu o primeiro texto como Djaimilia há quatro anos e, de então para cá, publicou três livros em três editoras diferentes. O primeiro, Esse Cabelo, publicado pela Teorema em 2015, é, segundo o jornal Público, “uma espécie de romance-ensaio que despertou a atenção de leitores e da crítica para a que parecia uma voz inovadora de uma geração que falava de raça, identidade, género, questionando clichés associados à condição de negritude ou do que é viver num mundo de estranheza seja no lugar onde nasceu, Angola, como naquele onde cresceu e vive, Portugal“. 

Em 2018, publica o seu segundo romance, Luanda, Lisboa, Paraíso, pela Companhia das Letras, livro que lhe valeu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2018, e que conta o percurso feito por um pai e o seu filho, numa viagem sem retorno, que começa em Luanda, passa por Lisboa, onde vivem algum tempo numa pensão, para, mais tarde, acabarem a viver no Paraíso, um bairro da lata na margem sul do Tejo. 

Atualmente, trabalha em dois projetos que mantém em segredo. O seu mais recente livro, Pintado com o Pépublicado em abril pela Relógio d’Água, é uma coletânea de textos dispersos.

JOÃO PEDRO PORTO

Nasceu nos Açores, em abril de 1984. Esteve entre os finalistas do Prémio Casino da Póvoa com A Brecha, um livro que necessita de “espírito de aventura“, segundo o escritor. Sobre o seu processo de escrita, define-o como “muito estranho” e afirma que “não há método, é muito rápido” porque se quer “livrar da ideia o mais rapidamente possível”. 

É presença recorrente em diversos jornais, bem como em revistas e suplementos literários. Sobre a sua escrita, Valter Hugo Mãe escreveu: “Reverberam séculos nas suas construções. Um invasor absoluto, um denunciador. João Pedro Porto é cénico, performativo, esdrúxulo, temperamental, mas sem arrogância. Apenas luxuoso, desse luxo de poder fazer.”

Para além de A Brecha, já publicou O Rochedo que Chorou, O 2egundo M1nuto e Porta Azul para Macau. Viu também editado, em formato livro, o conto O Homem da Mansarda, e fez parte da primeira antologia coordenada pelo Centro Mário Cláudio, O País Invisível.

CARLA PAIS

O percurso literário de Carla Pais é bastante atípico. Terminou o 12º ano já depois de casada e do nascimento do seu primeiro filho, em 1998, com 19 anos. Mais de dez anos depois, emigra com a família para França, onde trabalhou em limpezas e a tomar conta de crianças. Como outros autores da sua geração, foi treinando a mão nos blogues.

A Porto Editora publicou o seu primeiro romance, Mea Culpa, em 2017, que fala sobre os marginalizados de uma aldeia portuguesa. É, segundo a escritora, um livro cru, “não muito fácil” e do qual ‘se gosta muito ou não se gosta nada‘. Ainda assim, Mea Culpa esteve nos finalistas do Grande Prémio da APE, ao lado de nomes como José Eduardo Agualusa ou H. G. Cancela, que acabou por ser o galardoado.

Em 2018, viu o seu livro Um Cão Deitado à Fossa vencer o Prémio Literário Cidade de Almada, obra em que trabalha atualmente, por estar em fase de revisão, e com publicação prevista ainda para 2019.

Ana Cristina Leonardo

Estudou filosofia, que trocou por uma estadia no estrangeiro, após ler  que “a metafísica é um ramo da literatura fantástica” (Jorge Luis Borges). Trabalhou na Assírio & Alvim e andou pelo jornalismo cultural, viagens e moda. Para uma ilha, se só pudesse levar um escritor, levava Tolstói, apesar de não saber russo (via Expresso).

Colabora semanalmente com o Expresso, onde publica crónicas e críticas literárias. Publicou, em 2008, o livro infantil Joaninha, a menina que não queria ser gente (com ilustrações de Álvaro Rosendo).

O seu primeiro romance, O Centro do Mundo, foi publicado em 2018, pela Quetzal. Olhão é o centro do seu mundo, o centro da sua história, a cidade onde nasceu no seio de uma família de conserveiros. Em entrevista ao Público, a escritora não consegue definir o género da sua obra: “Não sei se é um romance, não sei como é que se chama”. Pode ser, talvez, um romance picaresco e pós-moderno, em que a História da Europa do século XX se entrelaça com a saborosa petite histoire, conferindo às personagens ignoradas pela grande História o estatuto de protagonistas. 

Rodrigo Magalhães

Na sua biografia, consta apenas que é livreiro. Nunca publicou antes dos 38 por achar que os seus textos não eram suficientemente bons para serem publicados – além de se considerar “muito preguiçoso e desprendido“. Em conversa com Gonçalo Mira, para o Público, o escritor assegura que o seu primeiro livro, Cinerama Peruana, surge apenas em 2013 graças a um amigo, João Leal (autor de Alçapão, Quetzal, 2011) que “decidiu tomar o assunto entre mãos e levar os textos até à editora“.

Autor discreto e contido, mas com uma extraordinária capacidade narrativa, Rodrigo Magalhães aparece sem qualquer bagagem em termos de publicação ou de atribuição de prémios, mas apresenta uma maturidade única, que lhe dá destaque nas críticas literárias. Sobre Cinerama Peruana, José Riço Direitinho escreve: “Com grande maturidade narrativa, e uma riqueza vocabular pouco comum, o autor constrói um universo literário que surpreende pela sua singularidade na recente literatura portuguesa“.

Em 2017, pela Quetzal, publica Os Corpos, uma espécie de policial, inspirado no caso Tamam Shud, e que cuja história é desdobrada, multiplicada por tantas quantas as perspetivas dos protagonistas, das testemunhas, das figuras secundárias, dos figurantes. Cada um transporta consigo uma história, a sua própria história, e esta intromete-se na história dos outros, interrompendo-a. Um livro misterioso, inquietante, de uma imensa originalidade, em que ressoam ecos de Buzatti, Bolaño ou Knausgaard.

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Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa