Chico Buarque vence prémio Camões 2019

foto: r7

O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019. O anúncio foi feito durante um evento na sede da Biblioteca Nacional do Brasil, esta terça-feira, no Rio de Janeiro. O artista brasileiro garante estar “muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar“, o seu compatriota distinguido com o prémio em 2016.

Buarque já havia sido distinguido com o prémio Jabuti, em 1992, o mais importante prémio literário no Brasil, pelos seus romances Estorvo, Leite Derramado e Budapeste. Para além disso, é também autor de alguns dos mais icónicos discos brasileiros da segunda metade do século XX.

O seu mais recente livro editado em Portugal, Tantas Palavras, reúne todas as suas letras escritas por si, desde Tem mais samba (1964), que ele considera ser o marco zero da sua carreira.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum“.

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018, o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida. A história do galardão conta apenas com uma recusa, a de Luandino Vieira, em 2006.

Chico Buarque foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, professores universitários indicados pelo Ministério Português da Cultura; pelo ensaísta Antonio Cícero Correia Lima e pelo professor António Carlos Hohlfeldt, indicados pelo Governo brasileiro; pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.

Aos 22 anos Chico Buarque descobriu que tinha um irmão alemão. Quase cinco décadas depois da descoberta, Chico Buarque decidiu fazer da existência desse irmão – e do silêncio em torno dele – a matéria do seu próximo romance. Mas antes precisava de saber exactamente o que lhe acontecera.

Dessa busca nasce este romance. Magistralmente conduzida por um narrador obsessivo, delirante, megalómano e profundamente solitário sem o querer ser, a narrativa enreda o leitor numa trama em que realidade e devaneio se confundem permanentemente. A páginas tantas, a busca de narrador e autor passa a pertencer igualmente ao leitor, também ele desesperadamente procurando esse irmão desconhecido.

Parabéns, Chico Buarque.