Maio 22

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Jokha Alharthi vence Man Booker International Prize

Jokha Alharthi com a tradutora, Marilyn Booth. Foto: Andy Rain/EPA

Jokha Alharthi, autora de Celestial Bodies, é a vencedora do Man Booker International 2019, prémio criado para incentivar a publicação e leitura de ficção de qualidade traduzida para língua inglesa. O anúncio foi feito esta terça-feira à noite na Roundhouse, em Camden Town, Londres, pela presidente do júri deste ano, a historiadora Bettany Hughes.

Esta é a primeira vez que um livro escrito em língua árabe vence o prémio. Alharthi é também a primeira escritora do Sultanato de Omã a ser traduzida para inglês.

Traduzido para o inglês por Marilyn Booth, que receberá metade do prémio, no valor de 50,000£, e publicado pela editora Sandstone PressCelestial Bodies conta a história de três irmãs que vivem na aldeia omanense de al-Awafi — Mayya, que se casa com um pretendente oriundo de uma família rica depois de um desgosto de amor; Asma, que casa por dever; e Khawla, que espera por um homem que emigrou para o Canadá.

Celestial Bodies foi seleccionado de uma shortlist maioritariamente feminina, excluindo da competição escritores como Olga Tokarczuk, vencedora do Man Booker International 2018, a autora francesa Annie Ernaux e o colombiano Juan Gabriel Vásquez.

Hughes afirmou que os júris adoraram “a arte subtil” no romance de Alharthi. “É menos extravagante do que alguns dos outros livros e há uma espécie de astúcia poética nele. Começamos por sentir que se trata de um drama doméstico num mundo fascinante, mas com as camadas de filosofia, psicologia e poesia, somos atraídos para a prosa através da relação entre as personagens”.

A historiadora conclui, afirmando que esta obra “evita todos os estereótipos que poderíamos esperar numa análise de género, raça, distinção social e escravatura“, com várias surpresas pelo meio.

A presidente do júri já tinha chamado a atenção, durante a divulgação da shortlist em abril, para a importância da literatura estrangeira e a sua capacidade de ligar diferentes pontos do mundo e dar a conhecer diferentes realidades. Os outros jurados da edição deste ano foram Pankaj Mishra,Elnathan John, Maureen Freely e Angie Hobbs.

Com este romance, Jokha Alharthi espera que os leitores espalhados pelo mundo “descubram que o Omã tem uma comunidade ativa e talentosa que vive e trabalha para a sua arte“. Numa entrevista, feita em abril, a autora declarou que “os omanitas, através da sua escrita, convidam outros a olhar para o Omã com uma mente e coração abertos“, reforçando que, independentemente do sítio onde vivemos, partilhamos os mesmos sentimentos, mas que a humanidade “ainda tem muito trabalho pela frente para acreditar nesta verdade“.

Celestial Bodies (2018)

O romance centra-se na vila de al-Awafi, no Omã, onde conhecemos três irmãs: Mayya, que casa com Abdallah depois de um desgosto de amor; Asma, que casa por dever; e Kawhla, que rejeita todas as propostas de casamento enquanto espera por um homem emigrado no Canadá. Estas três mulheres e as suas famílias vêem o Sultado do Omã a evoluir e a abandonar as tradições de uma sociedade de escravatura, reestruturando-se depois da era colonial.