Como Stieg Larsson ajudou a resolver um crime

Em 2010, Jan Stocklassa começou a trabalhar num novo livro. Ia testar a teoria de sintaxe espacial. A pesquisa trocou-lhe as voltas e acabou a investigar o assassinato de Olof Palme, primeiro-ministro sueco, alvejado em 1986. As pistas mais importantes vieram de um aliado improvável: Stieg Larsson, o autor da saga Millennium, falecido em 2004.

Quando Stocklassa pesquisava sobre sintaxe espacial – uma teoria dos anos 70 que defende que a configuração dos espaços pode influenciar o comportamento humano -, chegou a Alf Enerström.

Enerström era médico e, em 2003, disparou contra a polícia, depois de ter recebido ordem de despejo de uma casa onde já tinha ocorrido um assassinato em 1932. A teoria estava provada.

No entanto, Stocklassa deparou-se com o relatório da Comissão de Investigação ao homicídio do primeiro-ministro sueco, Olof Palme, alvejado nas costas, a 28 de fevereiro de 1986, quando regressava a casa com a mulher. Alf Enerström, anti-Palme, aparecia mencionado no relatório, acusado de estar envolvido no crime.

O autor encontrou-se com Enerström e com a ex-mulher deste, Gio Petré, e percebeu que tinha em mãos algo muito maior. Depois, conheceu um bibliotecário que também tinha investigado o envolvimento de Enerström e foi aconselhado a falar com Anna-Lena Lonedius, co-autora de um livro sobre a extrema-direita sueca. Foi ela quem o ajudou a mudar todo o rumo da história.