“Um Bailarino na Batalha”, de Hélia Correia, vence Grande Prémio de Romance e Novela

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fotografia: público

A escritora Hélia Correia é a vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), com a obra “Um Bailarino na Batalha”. O anúncio foi feito hoje, pela associação, e a decisão foi unânime entre o júri.

No início deste mês, o júri anunciou a lista com as cinco obras a concorrer ao galardão. Para além de Hélia Correia, também os escritores Djaimilia Pereira de Almeida, Joana Bértholo, Julieta Monginho e Rui Laje foram finalistas. 

O Grande Prémio de Romance e Novela da APE, no valor de 15 mil euros, é atribuído desde 1982. Tem como objetivo de consagrar uma obra de ficção de autor português, publicada no ano anterior à entrega do prémio.

Com “Um Bailarino na Batalha”, editado pela editora Relógio d’Água, Hélia Correia regressa ao romance, oito anos depois de “Adoecer”.

O romance narra uma epopeia em jeito de travessia de deserto, por um grupo de caminhantes que quer fugir da tragédia da guerra e ruma em direção à paz, na Europa. Esta narrativa transforma-se num comentário poético da atualidade noticiosa, as condições de sobrevivência dos refugiados e o aumento do seu número, no mundo inteiro, ou, como descreveu a crítica literária, um poema narrativo épico em prosa.

"Pesados como pedras, no entanto velozes como pedras, eles caminham, os últimos errantes, uns poucos dias mais adiante, os poucos dias que os separam da música dos ossos. Eles caminham, os últimos errantes, embatendo uns nos outros, repelindo, à força de olhos e de cotovelos, à força daquele ronco que lhes bate, mais do que o coração, dentro do peito, repelindo e chamando, concentrados na marcação das cenas animais, na coreografia da matilha. Pois tudo aquilo que séculos, milénios, foram acumulando, abstracções, certa elegância na sobrevivência, as leis cujo poder suspende a faca e faz descer a faca, tudo era fácil de rasgar, tudo era um mero adorno, um véu de rapariga, algo que não resiste à impiedade".
Hélia Correia
in Um Bailarino na Batalha

No ano passado, o romance vencedor foi “As Pessoas do Drama”, de H.G. Cancela, autor que já antes fora finalista com o seu terceiro romance, “Impunidade”, de 2014.

O prémio, criado pela APE, já foi atribuído a 31 autores, tendo-o obtido por duas vezes os escritores Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Mário Cláudio, Agustina Bessa-Luís, Maria Gabriela Llansol e Ana Margarida de Carvalho.

O júri foi coordenado por José Manuel de Vasconcelos e constituído por Clara Rocha, Cristina Robalo Cordeiro, Fernando Pinto do Amaral, Maria de Lurdes Sampaio e Salvato Teles de Menezes.

Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa