Maya Angelou - mural Los Angeles Julho 11

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Maya Angelou, a mulher que não vinha para ficar

Maya Angelou morreu em 2014 mas o seu legado perdura. A escola Dr. Maya Angelou Community High School, em Los Angeles, nos Estados Unidos, tem agora vários murais dedicados à ativista e escritora norte-americana. A homenagem, feita por 33 artistas internacionais, serve-nos de pretexto para recordar a mulher que foi tanto e nos ensinou ainda mais.

Em 1950, casou com Tosh Angelos –  um casamento que teve vida curta. Entretanto, começou a estudar dança e teatro, o que lhe permitiu conseguir um papel na ópera Porgy and Bess, com a qual viria a atuar em 22 países da Europa. Ao longo da vida, trabalhou em muitas outras peças, dentro e fora da Broadway e trabalhou também para televisão e cinema, como produtora, realizadora e guionista.

Além de tudo isto, gravou cinco discos cantados e outros quatro em que declama textos, que lhe valeram cinco Grammys.

Foi próxima de Martin Luther King e de Malcom X e trabalhou com o ativista sul-africano Vusumzi Make, o que lhe permitiu acompanhar de perto o processo da independência dos estados africanos. Viveu no Egito e no Gana e, nesse período, trabalhou como editora do jornal The Arab Observer, escreveu para o The Ghanaian Times’ e colaborou com a Ghana Broadcasting Corporation.

Cada vez mais ligada ao ativismo, mas também à escrita, começou a escrever “Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola“, a primeira de várias autobiografias. A primeira edição do livro foi publicada em 1969 e, dez anos depois, fez a adaptação do livro para televisão.

O impacto do primeiro livro foi tão grande que Maya Angelou se tornou uma voz ainda mais importante nos Estados Unidos. Trabalhou em várias comissões culturais, a convite dos presidentes Gerald Ford e Jimmy Carter, enquanto continuou a escrever para televisão e cinema, participou como atriz na série Roots e compôs várias canções.

Em 1973, casou com Paul du Feu e, seis anos depois, conheceu Oprah Winfrey, que se tornou sua amiga e que viria a inspirar “Carta à minha filha“. Depois de se divorciar, nos anos 80, Angelou resolveu voltar para o sul dos Estados Unidos, numa tentativa de se reconciliar com o passado. Tornou-se professora na Universidade de Wake Forest, no estado da Carolina do Norte, mesmo sem ter qualquer grau académico.

Em 1993, Maya Angelou foi convidada a recitar o poema “On The Pulse of Morning” na cerimónia de tomada de posse de Bill Clinton, que, em 2000, viria a condecorá-la com a Medalha Nacional das Artes. Onze anos depois,  Barack Obama, entregou-lhe a Medalha Presidencial da Liberdade.

Escreveu livros infantis, ensaios, artigos e contos e em 2006 apresentou um programa de rádio, Oprah and Friends. Em 2010, doou toda a sua escrita pessoal e lembranças de carreira, em mais de trezentas caixas, ao Centro Schomburg para a Pesquisa da Cultura Negra.

Maya Angelou morreu a 28 de maio de 2014, aos 86 anos. Além de “Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola” continuar a ser um êxito mundial, também o poema Still I Rise” continua a ser um marco importante para a comunidade negra americana.

O Maya Angelou Mural Festival, cujas fotografias ilustram este artigo, foi organizado pela Branded Arts e faz parte de um projeto em colaboração com a direção distrital de Los Angeles que pretende transformar o campus de várias escolas em telas artísticas. O evento demorou cerca de três anos a ser preparado e todos os murais têm referências ao trabalho da autora.

A Dr. Maya Angelou Community High School abriu em 2011 e a escolha do nome foi feita pelos alunos, que se sentiram inspirados pela forma como Maya Angelou conseguiu ultrapassar todos os obstáculos com que se confrontou.

Diz, no início de “Sei porque canta o pássaro na gaiola”:  “Porque é que ‘tão a olhar para mim?/ Não vim para ficar”, mas o seu legado manter-se-á firme na história e na literatura.

Deixe-se inspirar pela obra de Maya Angelou: