Alice Vieira celebra os 40 anos do seu primeiro livro e de “uma maneira diferente de escrever para os miúdos”

imagem: público

Em 1979, nascia Rosa, minha Irmã Rosa. Foi o primeiro livro de Alice Vieira e o primeiro livro da infância de muitas gerações. Passados 40 anos desde a sua publicação, a escritora atribui o sucesso do livro a “uma maneira diferente de escrever para os miúdos”.

Com 76 anos, Alice Vieira já publicou dezenas de livros e vendeu mais de dois milhões de exemplares. Rosa, minha Irmã Rosa é considerada uma das obras de referência da literatura juvenil em Portugal, no meio de outras tantas que escreveu, sobretudo para crianças e jovens, como Leandro, Rei da Helíria ou Os Olhos de Ana Marta.

“Penso que foi uma maneira diferente de escrever para os miúdos”, afirmou a autora em declarações à Lusa. “Eram histórias reais, eram os sítios que eles conheciam, as personagens e a vida que eles conheciam. Penso que foi isso que os motivou, até hoje, à leitura do livro”

A história de Mariana, a menina de dez anos que descobre um mundo diferente com o nascimento da irmã mais nova, surge por acidente. O objetivo inicial era apenas escrever uma história para os filhos, até ao dia em que o marido, Mário Castrim, soube de um concurso e enviou o livro. “Quando me ligaram para o jornal a dar a notícia, eu disse: ‘Concurso? Prémio? Qual prémio?!’ Nem me lembrava, a sério”, descreve Alice Vieira em entrevista ao Observador

O regulamento do concurso dizia que a obra premiada seria imediatamente publicada pela Caminho. As vendas dispararam e o editor, Zeferino Coelho, pediu-lhe que continuasse a escrever. “Ninguém me descobriu ou me convidou. Não foi: ‘Olha, aquela é capaz de escrever um livro!'”, recorda.

imagem: observador

Rosa, minha Irmã Rosa não é apenas a história de Mariana, mas uma representação dos filhos de Alice Vieira que, na altura em que a escreveu, estava grávida do terceiro filho. “Eles já tinham nove, dez anos, sempre tinham vivido juntos e eu estava com medo que a irmã ou irmão que estava para nascer viesse alterar isso. E sem eles saberem introduzi aquela história da irmã mais nova, para ver como é que eles reagiam. Pelo meio, tive um desastre complicado e a criança não nasceu, mas foi isso que desencadeou a história”, lembrou.

Depois do sucesso de Rosa, minha Irmã Rosa, a autora escreveu outros dois livros com as mesmas personagens: Lote 12, 2.º frente (1980) e Chocolate à chuva (1982) – e a trilogia é ainda motivo de conversa nos encontros com alunos e com adultos, que foram seus leitores na infância.

Em quatro décadas de escrita, Alice Vieira também publicou poesia e romance para adultos, mas é no universo infanto-juvenil que a situam, com várias dezenas de livros, prémios e amizades que duram até hoje.

Olhando para trás, a escritora diz que, com a escrita para os mais novos, cumpre uma promessa pessoal: “Tive uma infância complicada e lembro-me de ter dito para mim própria: ‘Nunca me hei de esquecer disso’. Foi um bocadinho vingança”.

Rosa, minha Irmã Rosa, recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, tem agora a sua 34.ª edição publicada pela Editorial Caminho, numa edição comemorativa ilustrada por Patrícia Furtado.

Relembre a sua infância com Alice Vieira
Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa