bertrand_dia_mundial_do_cérebro Julho 22

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O Livro é o Melhor Amigo do Cérebro

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 Diz-se que os livros são ioga para a mente, e ninguém acredita tanto nisso como nós. A verdade, contudo, é que ler traz mais vantagens do que apenas descomprimir e permitir-nos viajar por mundos paralelos; a literatura é uma espécie de superpoder do cérebro, e são vários os estudos que o comprovam.

No Dia Mundial do Cérebro, ficamos a conhecer alguns dos benefícios dos livros para a mente e lançamos-lhe o repto: pela sua saúde, leia.

1. Ler aumenta a conectividade do cérebro

Há livros que mudam literalmente as nossas vidas, mas sabia que os livros também podem mudar o nosso cérebro? De acordo com investigadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, ler ficção pode intensificar a conectividade do lobo temporal esquerdo, a área associada à linguagem.

Este aumento de atividade no nosso cérebro continua por vários dias após a leitura. A investigação teve como objeto de estudo o livro Pompeii, de Robert Harris, por ser uma obra baseada em casos verídicos, escrita como ficção histórica e vista como uma narrativa clássica.

2. Ler coloca o leitor no lugar da personagem

A mesma investigação da Universidade Emory concluiu também que ler aumenta a atividade no córtex motor do cérebro, região responsável pela parte sensorial e motora do corpo. Através das páginas de um livro, os nossos neurónios criam a sensação de que, mais do que a ler, estamos a experenciar.

Se estivermos a ler uma passagem onde a personagem principal está a correr, os neurónios associados ao ato físico de correr são realmente ativados. Este fenómeno é conhecido como cognição incorporada e traz todo um novo significado à experiência da leitura, ao colocar o leitor diretamente no lugar da personagem através da biologia do nosso cérebro.

3. Ler melhora a nossa empatia

Mergulhar na vida de uma personagem e ver o mundo através dos seus olhos é a receita ideal para nos tornarmos mais empáticos e emocionalmente inteligentes. Isso também não é propriamente novidade entre nós, livrólicos; a diferença é que que, agora, há estudos que o comprovam cientificamente.

Keith Oatley, psicólogo e investigador canadiano, afirma que os livros são como um “simulador de voo da mente” – tal como os pilotos aprendem a trabalhar sem levantar voo, indivíduos que lêem ficção podem melhorar as suas capacidades sociais. Nas suas investigações, Oatley descobriu que à medida que nos vamos identificando com as personagens, começamos a considerar os seus objetivos e desejos para além dos nossos.

Uma das obras utilizadas para este estudo foi Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.

4. Ler aumenta a nossa memória e concentração

Temos más notícias para os apaixonados por ebooks: um estudo de 2014 comprovou que é muito mais provável lembrarmo-nos de uma história se a estivermos a ler no formato físico do que no digital. Acaba por estar tudo relacionado com o ato de folhear um livro: sentir as páginas por entre os nossos dedos dá contexto sensorial ao cérebro, o que poderá levar a uma maior compreensão e profundidade daquilo que estamos a ler.

De acordo com a neurocientista Susan Greenfield, no seu livro Mind Change, apesar de a internet ter melhorado a nossa memória de curto prazo e a capacidade de gerir várias tarefas simultaneamente, acabou também por afetar a nossa concentração. Quando lemos um romance fazemo-lo de forma linear em vez de saltar de janela em janela, como fazemos nos nossos computadores, e absorvemos lentamente a informação à nossa frente, o que melhora exponencialmente os nossos níveis de atenção, especialmente em crianças.  

5. Ler reduz o stress e melhora a nossa saúde mental

Uma investigação realizada em 2009, pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, concluiu que ler é mais eficaz para diminuir os níveis de stress do que ouvir música, dar um passeio ou sentar-se e beber uma chávena de chá.

Segundo os investigadores, o livro tem este impacto significativo na redução do stress devido à sensação de escapismo e imersão total que temos quando lemos, havendo um maior foco na experiência literária, de tal modo que o nosso corpo relaxa.

Conselho Português para o Cérebro

Foi em 2014 que a World Federation of Neurology instituiu o Dia Mundial do Cérebro, com o objetivo de chamar a atenção para o papel do cérebro na nossa vida e na descoberta do mundo. Desde então, e a cada ano que passa, um tema novo serve a mensagem com que se pretende alertar as consciências para as grandes questões do cérebro. O tema deste ano, “Enxaqueca – uma verdade dolorosa”, aborda esta doença que afecta uma em cada sete pessoas, a nível mundial. 

Para além do sofrimento físico e psicológico, pode provocar limitações graves na vida de uma parte significativa daqueles que dela padecem, sendo considerada pela OMS uma das doenças mais incapacitantes.

Saiba mais com o Conselho Português para o Cérebro.

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Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa