dia_mundial_do_gato Agosto 08

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5 autores que adoravam os seus gatos

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“If you want to write about human beings, the best thing you can do is to keep a pair of cats”, disse Aldous Huxley (1894-1963), autor de Admirável Mundo Novo. São vários os escritores que se renderam ao amor felino. Edgar Allan Poe (1809-1849) é um dos mais óbvios, não fosse um dos seus contos mais populares sobre um gato preto, mas existem outros mais excêntricos, como Charles Dickens (1812-1870), que embalsamou a pata do seu gato predilecto, Bob, anexando-a a um abre-cartas. 

Mas porque é que escritores e gatos parecem dar-se tão bem? Para Robertson Davies (1913-1995), escritor e jornalista canadiano, a resposta é óbvia: “Os escritores gostam de gatos porque são criaturas quietas, adoráveis e sábias, e os gatos gostam deles pelas mesmas razões”

Hoje, 8 de agosto, celebra-se o Dia Internacional do Gato, criado em 2002 pela International Fund for Animal Welfare. Comemoramos a data deste animal de estimação tão especial ao relembrar as relações mais populares entre felinos e escritores

É caso para dizer: aqui há gato.

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Imagens: Ernest Hemingway Collection, John F. Kennedy Presidential Library and Museum

Ernest Hemingway (1899-1961)

O primeiro gato de Ernest Hemingway chamava-se Snowball. Foi oferecido pelo capitão de um navio, Stanley Dexter, na década de 1930. Snowball foi o primeiro de uma longa geração de gatos com seis dedos, portadores de uma anomalia genética denominada polidactilia. Os marinheiros acreditavam que estes gatos traziam boa sorte em viagens e que as suas patas especiais ofereciam mais balanço no mar.

Atualmente, em Key West, a pequena ilha onde o autor de O Velho e o Mar viveu, são já as dezenas de descendentes de Snowball, residentes no atual Ernest Hemingway Home and Museum. A grande maioria tem seis dedos como o seu progenitor e, mantendo a tradição começada por Hemingway, têm todos nomes de pessoas famosas.

“A cat has absolute emotional honesty: human beings, for one reason or another, may hide their feelings, but a cat does not”.

Jorge Luis Borges

Imagens: Vegazeta

Jorge Luis Borges (1899-1986)

Jorge Luis Borges teve sempre vários gatos a acompanharem a sua vida, mas há dois, em especial, que se destacam: Odin e Beppo. Enquanto o primeiro foi buscar o seu nome ao Deus da mitologia nórdica, Beppo era o nome de uma personagem de Lord Byron (1788-1824). “Chamava-se Pepo, mas era um nome horrível, pelo que troquei por Beppo, o gato de Byron“, explicou o escritor argentino. “O gato não se deu conta da mudança e seguiu com a sua vida“. 

Beppo estava sempre ao lado de Borges. Gostava de brincar com os atacadores dos sapatos e dormir no seu colo. Quando morreu, com mais de 15 anos, o autor de O Livro de Areia já se encontrava cego. A ele, Jorge Luis Borges dedicou um poema, inserido na obra La Cifra, publicada em 1981.

“Beppo”, em La Cifra (1981)

​​”El gato blanco y célibe se mira
en la lúcida luna del espejo
y no puede saber que esa blancura
y esos ojos de oro que no ha visto
nunca en la casa, son su propia imagen.
¿Quién le dirá que el otro que lo observa
es apenas un sueño del espejo?
Me digo que esos gatos armoniosos,
el de cristal y el de caliente sangre,
son simulacros que concede al tiempo
un arquetipo eterno. Así lo afirma,
sombra también, Plotino en las Ennéadas.
¿De qué Adán anterior al paraíso,
de qué divinidad indescifrable
somos los hombres un espejo roto?”

Edgar Allan Poe (1809-1849)

O poeta e escritor americano ficou bem conhecido pela sua eterna companheira, a gata preta Catterina. De acordo com o The Great Cat, a gata costumava sentar-se nos ombros de Edgar Allan Poe, como que a analisar a sua escrita. Quando a mulher do autor, Virginia, estava a morrer de tuberculose, Catterina fez-lhe companhia na cama até ao fim. Poe escreveu que o seu animal de estimação era “one of the most remarkable black cats in the world – and this is saying much; for it will be remembered that black clats are all of them witches”.

Catterina acaba por ter algumas semelhanças com Pluto, o gato do conto “The Black Cat” e uma das histórias de horror mais conhecidas do escritor. Diz-se também que a gata ficava deprimida quando ele viajava e, duas semanas após Edgar Allan Poe ter morrido, também Catterina partiu, provavelmente ao encontro do seu dono.  

Ilustração: Curious French Cat, por Sylvia Plath (1956), via Twitter

Sylvia Plath (1932-1963)

Sylvia Plath, romancista e poeta americana, autora do célebre livro  A Campânula de Vidro, foi fotografada em criança, segurando o seu gato ao colo, de nome Daddy. 

Em 2007, a obra Eye Rhymes: Sylvia Plath’s Art of the Visual foi publicada, revelando um outro lado da escritora completamente dedicado às artes visuais. É aí que se encontra “Curious French Cat”, uma ilustração adorável de um gato a espreitar por um beco. Para além disso, Plath escreveu um poema sobre aquele estereótipo bem conhecido da mulher louca que adopta muitos gatos. Chama-se Ella Mason And Her Eleven Cats e pode lê-lo na íntegra aqui.

Mark Twain (1835-1910)

Mark Twain, conhecido pela obra As Aventuras de Tom Sawyer, tinha 11 gatos na sua quinta, em Connecticut. Quando um dos seus gatos desapareceu, o escritor colocou um anúncio no New York American oferecendo uma recompensa de 5$ para quem o encontrasse. Todos os seus gatos tinham nomes únicos e característicos do humor do escritor: Sackcloth, Ashes, Billiards, Blatherskite, Satan e a sua bebé, Sin, Soapy Sall e a favorita de Twain, Sour Mash.

Em Autobiography, o autor declara que, quando ia de férias, uma das suas atividades favoritas era alugar gatos. “No início de maio aluguei um gatinho à mulher de um agricultor por um mês; consegui um desconto ao alugar três. Eles têm sido a minha companhia já há cinco meses e continuam bebés – pelos menos ainda não cresceram muito”.

Imagem: Mark Twain Papers, Bancroft Library, University of California

Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa