II Guerra Mundial Agosto 30

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A II Guerra Mundial e o Poder Incontornável dos Livros

II Guerra Mundial

IMAGEM: ASSOCIATED PRESS 

Há memórias que deixam cicatrizes e esta é uma das que, ainda hoje, não sarou completamente. Há 80 anos, W. H. Auden fazia questão de que ninguém a esquecesse, relembrando com poesia “the unmentionable odour of death / offends the September night” (in Another Time, 1940). Foi na madrugada do 1.º de setembro, em 1939, que Adolf Hitler proclamou uma “batalha pela honra” da Alemanha contra a Polónia. Começava assim, por entre a madrugada cerrada, a II Guerra Mundial. 

A literatura acompanhou a História, como sempre: combateu, sangrou com a Humanidade, morreu e renasceu com ela. Quando milhares de livros eram queimados, com o intuito de oprimir e aniquilar a opinião pública, outros tantos renasciam como escudo e defesa da liberdade. Uma frase de Franklin D. Roosevelt ficou particularmente popular como símbolo da revolução contra o regime nazi:

“Books cannot be killed by fire. People die, but books never die. No man and no force can put thought in a concentration camp forever. No man and no force can take from the world the books that embody man’s eternal fight against tyranny. In this war, we know, books are weapons.” — Franklin D. Roosevelt, via National Archives Catalog

Do séc. XX à atualidade

A história de Anne Frank, em O Diário de Anne Frank, não se esquece. Tira-nos o fôlego e asfixia-nos, como se também nós pertencêssemos àquele anexo secreto, sem final feliz. Como a obra da adolescente judaica, muitas outras nos marcaram, ao longo do século XX. Histórias verdadeiras e outras baseadas em factos reais. Todas igualmente poderosas, escritas sob um berço trágico e sangrento. Escritas para que ninguém se esqueça. Escritas para que não se repita a tragédia que assolou a década de 1940. 

O que começou na Alemanha, depressa se alastrou ao resto do mundo. França, Polónia, Reino Unido, passando igualmente pelos Estados Unidos e, de forma avassaladora, pelo Japão — nesse ponto sem retorno que foram os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. É uma dor que não se apaga. Uma dor que relembramos aqui, por entre as linhas que ainda hoje se escrevem sobre esta fase negra.

Deixamos-lhe  o mapa literário da II Guerra Mundial, entre ficção e não-ficção, para que não esqueçamos.

 

Nos campos de concentração de Auschwitz, Polónia
O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris
Tatuador de Auschitz
O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz, de Jeremy Dronfield
As Gémeas de Auschwitz, de Eva Mozes Kor e Lisa Rojany Buccieri
As Gémeas de Auschwitz
Os Bebés de Auschwitz, de Wendy Holden
Os Bebés de Auschwitz
O Farmacêutico de Auschwitz, de Patricia Posner
O Farmacêutico de Auschwitz
A Última Testemunha de Auschwitz, de Denis Avey e Rob Broomby
A última testemunha de Auschwitz
Nos bairros e ruelas de uma França devastada
Toda a Luz que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr
Toda a Luz que Não Podemos Ver
Suite Francesa, de Irène Némirovsky
Suite Francesa
O Rouxinol, de Kristin Hannah
Paris Após a Libertação 1944-1949, de Antony Beevor
Paris Após a Libertação
Dia D: A Batalha da Normandia, de Antony Beevor
Dia D
Piloto de Guerra, de Antoine de Saint-Exupéry
Piloto de Guerra
No epicentro destruidor da Alemanha
A Provadora, de V. S. Alexander
A Provadora
O Dia a Seguir, de Rhidian Brook
O Dia A Seguir
A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak
A Rapariga que Roubava Livros
Delírio Total, de Norman Ohler
Delírio Total
No Bunker de Hitler, de Joachim Fest
No Bunker de Hitler
O Terceiro Reich em 100 Objetos, de Roger Moorhouse
O Terceiro Reich em 100 Objetos
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara"

A II Guerra Mundial é uma mancha que não se apaga, uma ferida na essência do que é ser humano. Como estes livros, muitos outros nos deixaram presos num limbo de angústia, paralisados pela impossibilidade de ignorar o inferno. 

O poeta americano, W. H. Auden, termina os seus versos sobre o início da guerra com a certeza de que “no one exists alone / to the citizen or the police; we must love one another or die”. Por essa mesma altura, Ernest Hemingway asseverava que “o trabalho de um escritor é dizer a verdade”.

No final, talvez o dever do leitor seja ouvir. 

Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa