5 curiosidades sobre Lev Tolstoi

Reconhecido por leitores de todo o mundo como um dos mais importantes romancistas de sempre, Lev Tolstoi, um dos gigantes da literatura russa do século XIX, nasceu há 191 anos. Embora tenha perdido o Prémio Nobel da literatura para um autor francês seu contemporâneo, Sully Prudhomme (algo que na altura foi bastante contestado), Tolstoi fica para a História como um dos grandes observadores da sociedade do seu tempo e da natureza humana.

Partilhamos consigo 5 curiosidades sobre o autor que, escrevendo sobre a sua obsessão com a morte, se tornou ele próprio imortal.

‘O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo.’

1. A CRIAÇÃO DE UMA OBRA-PRIMA

Considerado não só a obra-prima de Tolstoi, como um clássico da literatura mundial, o épico de mais de 12.000 páginas, Guerra e Paz, levou 6 anos a escrever. O primeiro manuscrito, publicado em 1863, tinha como título “1805”, referência ao ano em que começa o enredo do livro. Tendo reescrito o romance várias vezes e considerado, ainda, dar-lhe o título da peça de William Shakespeare “All’s Well That Ends Well” (Bem Está o que Bem Acaba), Tolstoi publica o manuscrito final em 1869, tornando-se este um sucesso imediato.

Tudo isto não seria possível sem a ajuda preciosa da sua mulher, Sofia, que copiou o manuscrito completo, à mão, sete vezes, chegando a copiar certas secções até 30 vezes.

EM 2016, GUERRA E PAZ FOI ADAPTADO A SÉRIE TELEVISIVA PELA BBC.

2. A EXCOMUNHÃO DA IGREJA E A CRIAÇÃO DE UM movimento

A experiência no exército e a ostentação da aristocracia russa no seio da qual nasceu, levaram a que Tolstoi experienciasse uma profunda crise moral e espiritual. Tendo renunciado a religião organizada e atacado a sua influência sobre o Estado, foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa em 1901. Professando ideais que iam desde o pacifismo ao anarquismo cristão e tendo, desde aí, adotado um estilo de vida física e moralmente asceta, influenciou outros líderes espirituais como Mahatma Gandhi, com quem chegou a trocar correspondência.

Os seguidores que inspirou deram origem a uma espécie de culto a que se chamou Movimento Tolstoiano.

3. REGRAS PARA VIVER, SEGUNDO TOLSTOI

Para além da conversão espiritual, Tolstoi criou ainda uma lista de regras segundo as quais deveria viver, de modo a atingir a vida moralmente irrepreensível a que aspirava. Entre elas, contavam-se acordar às 5 da manhã e deitar às 22 horas (sendo que a sesta não poderia demorar mais de duas horas), comer moderadamente e evitar doces, e não tocar em bebidas alcoólicas ou tabaco.

Para além disso, Tolstoi tornou-se vegetariano, acreditando ser a carne uma substância que entorpecia a consciência das pessoas. O seu ensaio The First Step: An Essay on the Morals of Diet (1892) tem vindo a ser partilhado por organizações defensoras do vegetarianismo de todo o mundo, desde então.

4. INTRIGAS LITERÁRIAS COM outros autores

Antes da conversão espiritual, que levou o autor numa demanda para se reconciliar com todas aqueles que tinha ofendido, Tolstoi não poupava críticas aos outros escritores. Aquele com quem teve o maior desentendimento foi, talvez, o autor russo Ivan Turgenev sendo que este chegou a dizer de Tolstoi: “Estamos a pólos de distância um do outro. Se eu gosto da sopa, tenho a certeza de que Tolstoi irá detestá-la e vice-versa.” A  contenda evoluiu de tal modo que chegaram mesmo a desafiar-se um ao outro para um duelo, acabando, contudo, por preferir cortar relações.

Para além de Turgenev, Tolstoi teceu críticas a outros autores consagrados como Alexander Pushkin (de quem era, aliás, primo em segundo grau), Anton Chekhov e até mesmo William Shakespeare, cuja obra considerava imoral e entediante.

TOLSTOI COM A MULHER, SOFIA.

5. A RELAÇÃO TUMULTUOSA COM A MULHER E OS ÚLTIMOS DIAS

Embora Sofia tenha sido uma ajuda preciosa no seu trabalho, a relação dos dois estava longe de ser perfeita. A começar pelo facto de na sua noite de núpcias  (tinha Sofia 18 anos e o autor 34), Tolstoi lhe ter pedido para ler relatos dos seus diários, que detalhavam os seus encontros sexuais com outras mulheres. Embora, para o autor, esta fosse uma forma de começar o seu casamento com sinceridade, para a sua mulher, foi uma experiência humilhante. 

As coisas pioraram para o casal quando, após o despertar espiritual de Tolstoi, este começou a livrar-se de toda a sua fortuna. Receando a falência, Sofia tornou-se excessivamente controladora de cada movimento do marido, o que fez com que Tolstoi, cada vez mais infeliz no casamento, decidisse fugir de casa a meio da noite. Foi encontrado numa estação de comboios em Astapovo, na Rússia, gelado e febril, acabando por morrer no chão do escritório do chefe de estação, no dia 20 de novembro de 1910. Tinha 82 anos.

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Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa