H. G. Wells, o homem que inventou o amanhã

A 21 de setembro de 1866, nasceu, em Inglaterra, Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells. Sendo reconhecido como um dos pais da ficção científica (juntamente com autores como Júlio Verne ou Mary Shelley), Wells escreveu algumas das mais importantes obras do género – como A Guerra dos Mundos, A Máquina do tempo ou O Homem Invisível.  Para além disso, é ainda autor de uma extensa lista de livros de não ficção nos quais abordou temas relacionados com História, ciência ou política, tendo passado igualmente pela sátira e pela crítica social. 

As suas inúmeras amantes, um casamento incestuoso e convicções políticas controversas talvez tenham sido fatores determinantes para não ter recebido o Nobel da Literatura, para o qual foi considerado mais que uma vez. Contudo, fica para a história da literatura e do mundo como um visionário – não só por ter ajudado a definir as convenções do género de ficção científica mas por ter previsto diversos aspetos do futuro. Na eventualidade de um desfecho apocalíptico, com o cunho de Wells, será caso para recordar a frase que o autor desejava gravar como seu epitáfio: I told you so. You damned fools“. 

UM HOMEM À FRENTE DO SEU TEMPO
H. G. Wells ilustrado por Grahame Baker-Smith.

A expressão “A vida imita a arte”, atribuída a Oscar Wilde, ganha contornos mais sinistros no que diz respeito à ficção científica. São inúmeras as inovações tecnológicas que tiveram as suas raízes em livros e filmes do género. A H. G. Wells pode ser atribuída a previsão de várias delas, desde o sistema de comunicação sem fios, referido no livro Men like Gods, de 1923, ou da televisão, em When the Sleeper Awakes, de 1899; à manipulação genética, em A Ilha do Dr. Moreau, de 1896, ou a exploração da lua, no livro de 1901, The First Men in the Moon.

Para além disso, fez outras previsões mais alarmantes, como no livro The World Set Free, de 1914, no qual o autor escreve sobre bombas que poderiam explodir continuamente, recorrendo ao poder da radioatividade – duas décadas antes da criação da primeira bomba atómica. Wells foi também um dos primeiros a perceber a necessidade de uma instituição governamental global que prevenisse as nações de se destruírem umas às outras, tendo explorado as consequências de uma guerra total no seu clássico de 1897, A Guerra dos Mundos.

MARTE ATACA no halloween de 1938
Capa de um jornal de 1938 cujo título lê: "Peça de rádio aterroriza a nação".

Um dos episódios mais curiosos, que envolveu uma obra de H. G. Wells, foi a dramatização que o ator e realizador norte-americano Orson Welles fez de A Guerra dos Mundos, para a rádio. Às oito horas da noite de 30 de outubro de 1938, um locutor da CBS anunciou o programa. Sendo um sábado à noite – o horário nobre dos anos de ouro da rádio -, milhares de famílias americanas estavam reunidas em casa com o rádio ligado.  À hora a que a dramatização começou, a maior parte dos ouvintes estava sintonizada no programa cómico do ventríloquo Edgar Bergen, tendo apenas mudado para a estação na qual estava a ser transmitida a dramatização quando este terminou.

Por esta altura, já o programa de Welles estava a decorrer há cerca de 15 minutos e muitos ouvintes que apanharam a dramatização sem contextualização não perceberam que era ficção. O relato de Wells, da invasão das cidades de Nova Jérsia, Chicago e St. Louis, por marcianos, foi tão convincente que causou o pânico em milhares de ouvintes, que acabaram por tentar fugir e salvar-se do ataque. Na altura, surgiram até rumores de que teriam sido registados suicídios provocados pelo pânico. Hoje em dia, contudo, existe a teoria de que a situação possa ter sido exacerbada pela imprensa, como estratégia para afastar a ameaça que, na altura, a rádio constituía para os jornais. Ouça aqui a transmissão.

“We all have our time machines, don’t we. Those that take us back are memories…And those that carry us forward, are dreams.” – H. G. Wells

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Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa