The Testaments, a distopia que nos faz questionar a realidade

Margaret Atwood - The Testaments
Imagem: chattoandwindus

Trinta e quatro anos depois de Margaret Atwood ter editado The Handmaid’s Tale, publicado em Portugal com o título História de Uma Serva, a escritora canadiana presenteou-nos ― finalmente, permitam-nos dizer, ― com a continuação da distopia passada na República de Gilead. The Testaments, ainda sem edição em português, saiu no início de setembro e está na lista de finalistas do Booker Prize.

O êxito da adaptação televisiva, The Handmaid’s Tale, motivou uma redescoberta do livro e cada vez mais fãs exigiam respostas às muitas perguntas que ficam no final da história ― uma vez que a série continua além daquilo que é contado no livro.

O que ficou por contar

No final de The Handmaid’s Tale ficam muitas perguntas no ar. Não só queremos saber o que aconteceu a Offred, a narradora, mas também queremos perceber em que ponto está Gilead.

The Testaments começa a ser contado quinze anos após o final de The Handmaid’s Tale. Desta vez, a história é narrada por três personagens distintas. Duas das narradoras estão em Gilead. Uma delas tinha uma vida diferente antes de os Filhos de Jacob fundarem Gilead e a outra foi criada sem conhecer outra forma de vida além de Gilead. A terceira narradora vive no Canadá, ouve falar daquele país nas notícias e não sabe, mas tem ligações a Gilead. As perspetivas de todas são distintas, no entanto acabam por convergir.

Havia algumas dúvidas sobre a importância e o impacto de uma continuação do livro, mas Margaret Atwood sabia que havia ainda muito para dizer.

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Será?

A autora canadiana já mencionou várias vezes que a inspiração para Gilead e o mundo que vemos em The Handmaid’s Tale veio de vários acontecimentos do mundo real. Apesar de distópico, o mundo de Gilead não parece tão distante quanto deveria.

Gilead, uma teocracia, tenta tirar todo o poder às mulheres e limitá-las a uma existência sem voz, sem direitos, sem escolhas. Não está tão longe do que ainda acontece em alguns meios. No fundo, aquilo que Margaret Atwood cria é distópico, mas também soa a aviso. Aviso do que pode acontecer e aviso de que só conseguem limitar as sociedades até certo ponto.

Quando pegamos em The Testaments e vamos descobrindo o que aconteceu desde a última página de The Handmaid’s Tale temos resposta a muitas perguntas. Sentimos aflição e alívio, medo e esperança, impotência e poder.

No entanto, há uma pergunta cuja resposta nos continuará a assombrar: podemos continuar a chamar distopia a algo que soa tão próximo da realidade?

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The Testaments - Margaret Atwood
Sofia Costa Lima
Sofia Costa Lima
Coordenação Editorial: Marisa Sousa