Nobel da Medicina atribuído a William Kaelin, Peter Ratcliffe e Gregg Semenza

Prémio Nobel da Medicina 2019

A investigação de William G. Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe, que acabou por desvendar o mecanismo que permite às células adaptarem-se à disponibilidade de oxigénio no ambiente, garantiu-lhes o Prémio Nobel da Medicina de 2019, conforme anunciado pela academia sueca, esta segunda-feira.

“A importância fundamental do oxigénio é conhecida há séculos, mas a forma como as células se adaptam às mudanças nos níveis de oxigénio é, há muito, desconhecida”, cita o Observador. Para a Academia, graças a esta investigação, passou a saber-se “muito mais” sobre a forma como “os diferentes níveis de oxigénio regulam processos fisiológicos fundamentais”, a forma como as células se adaptam aos níveis de oxigénio e, consequentemente, em que é que isso se traduz. 

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Foto: Associated Press / O anúncio foi feito no Nobel Forum, no Instituto Karolinska

O Nobel da Medicina na História

O Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina é atribuído todos os anos pelo Instituto Karolinska e regulado pela Fundação Nobel. É um dos cinco prémios estabelecidos, em 1895, pelo sueco Alfred Nobel. O químico e inventor estava particularmente interessado em fisiologia experimental e quis estabelecer um galardão que pudesse destacar o progresso científico na área. 

Era importante para Nobel que os prémios fossem conferidos a descobertas com grande benefício para a Humanidade. Com base no testamento deixado pelo seu criador, o Comité do Nobel tem galardoado apenas investigadores das ciências básicas, excluindo as contribuições nas ciências aplicadas. Harvey Cushing, neurocirurgião que identificou a Síndrome de Cushing, não foi premiado, nem Sigmund Freud, uma vez que psicanálise careceu de hipóteses que pudessem ser confirmadas de forma experimental. Ainda assim, foi nomeado 32 vezes.

O primeiro Nobel da Medicina foi Emil Adolf von Behring, pela sua contribuição na terapia do soro para tratar a difteria, uma infecção bacteriana. A primeira mulher galardoada foi Gerty Cori, em 1947, juntamente com o seu marido, Carl Cori. A única mulher a receber um Prémio Nobel da Medicina individualmente foi Barabara McClintock, em 1983. 

Em 2018, James P. Allison e Tasuku Honjo foram os laureados escolhidos pelas descobertas relacionadas com o papel do sistema imunitário na luta contra o cancro.

Egas Moniz
O Nobel da Medicina mais polémico era português

Egas Moniz, neurologista e investigador responsável pelo desenvolvimento da arteriografia, ou angiografia cerebral, em 1927, constou na lista dos nomes propostos para o Prémio Nobel da Medicina cinco vezes – em 1928, 1933, 1937, 1944 e 1949 – sendo laureado apenas no último ano, em 1949.

A Egas Moniz desenvolveu a técnica da leucotomia pré-frontal. Embora esta operação fosse distinta da conhecida lobotomia, a verdade é que foi muitas vezes com ela confundida. A lobotomia deixou de ser praticada na década de 1960, após se concluir que era normalmente um trabalho que provocava lesões extensas no cérebro. Devido à associação que frequentemente era feita entre a lobotomia e o inventor da leucotomia pré-frontal, familiares de pacientes que sofreram aquela intervenção cirúrgica exigiram que fosse anulada a atribuição do Prémio Nobel feita a Egas Moniz.

O médico contou com alguns pacientes famosos, como Fernando Pessoa que, em 1907, o consultou, queixando-se de neurastenia e de medo de enlouquecer, à semelhança de Dionísia, a sua avó paterna. Egas Moniz, não lhe encontrando nada de anormal, recomendou-lhe aulas de ginástica sueca, com Luís Furtado Coelho, treinador pessoal do infante D. Manuel

Fontes: Observador

Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa