Nobel da Física atribuído a James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz

Seguindo a máxima deixada do físico Albert Einstein, de que “[o] importante é não deixar de questionar”, os galardoados com o Prémio Nobel da Física deste ano são três homens que alteraram para sempre as nossas concepções do mundo. Tendo feito o anúncio esta terça-feira, a Academia Sueca atribuiu o prémio a James Peebles “por descobertas teóricas em cosmologia física”, em conjunto com Michel Mayor e Didier Queloz “pela descoberta de um exoplaneta orbitando uma estrela do tipo solar”.

Segundo o comunicado, o trabalho de investigação inovador em cosmologia teórica, de James Peebles, astrónomo e astrofísico norte-americano, é considerado “a base da nossa compreensão moderna da história do universo, desde o Big Bang até os dias actuais”. Por sua vez, a descoberta feita pelos astrónomos suíços Michel Mayor e Didier Queloz, em 1995, do primeiro planeta fora do nosso Sistema Solar, abriu caminho para uma verdadeira revolução no estudo da astronomia; sendo que, desde aí, já foram descobertos mais de 4.000 exoplanetas.

Foto: The New York Times

O Nobel da FÍSICA na História

O Prémio Nobel da Física é atribuído todos os anos pela Academia Real das Ciências da Suécia e regulado pela Fundação Nobel. Sendo um dos cinco prémios estabelecidos, em 1895, por Alfred Nobel, esta foi o primeira área que o químico e inventor sueco mencionou no seu testamento. 

Tendo como objetivo reconhecer cientistas, nos diversos domínios da Física, o primeiro a ser reconhecido com este galardão foi  Wilhelm Conrad Röntgen, em 1901, pelas suas descobertas relacionadas com radiação eletromagnética. Já o físico e engenheiro elétrico  John Bardeen, foi o único, até hoje, a merecer esta distinção duas vezes – a primeira vez em 1956, pela invenção do transístor e, novamente, em 1972, pela sua teoria que explicou o fenómeno da supercondutividade. Contudo, o laureado mais célebre deste prémio é, possivelmente, Albert Einstein que, em 1921, venceu o Nobel pela sua Teoria do Efeito Fotoelétrico, entre outros contributos para o estudo da Física. 

Em 1915, foi reconhecido o Nobel da Física mais jovem de sempre,  William Lawrence Bragg, que, juntamente com o seu pai, William Henry Bragg, venceu o prémio pelas suas descobertas no domínio da estrutura cristalina, com apenas 25 anos. Até à data, o prémio Nobel da Física já foi atribuído a 213 cientistas.

AS MULHERES QUE GANHARAM O NOBEL DA FÍSICA

Embora figurem em menor número, as três mulheres que foram reconhecidas pelo Prémio Nobel da Física não ficam atrás dos homens no que diz respeito ao génio. Marie Curie, a cientista franco-polaca reputada pelo seu trabalho no domínio da radioatividade, foi não só a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel da Física (em 1903, em conjunto com o seu marido Pierre Currie e Henri Becquerel), mas a única mulher, até hoje, a a ganhar o Nobel em dois campos científicos diferentes, tendo ganho em 1911 o Prémio Nobel da Química, pela sua descoberta de dois elementos – o polónio e rádio. 

A Curie, seguiram-se a americana Maria Goeppert-Mayer, em 1963, pela sua teorização acerca das propriedades do núcleo atómico, e a canadiana Donna Strickland, a vencedora do Nobel do ano passado que, juntamente com Gérard Mourou, foi distinguida pelo seu trabalho pioneiro na área dos lasers. No seu discurso de aceitação do prémio, Donna expressou a necessidade de celebrarmos as mulheres numa área – não só a Física, mas a ciência no geral – dominada por homens, e a esperança de que, nos próximos anos, muitas mais se juntem a ela nesta distinção.

Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa