Nobel da Química atribuído a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino

Continuando a semana da divulgação dos vencedores dos Prémios Nobel de 2019 – já foram anunciados o Nobel da Medicina, segunda-feira, e o Nobel da Física no dia seguinte -, a Academia Sueca anunciou hoje a atribuição do Nobel da Química a John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino. O trio de cientistas, de nacionalidades norte-americana, britânica e japonesa, respetivamente – foi reconhecido “pelo desenvolvimento de baterias de lítio”, contribuindo assim para um futuro mais sustentável.

Como cita o Público, o Comité justificou a sua decisão ao afirmar o quanto “[a]s baterias de iões de lítio revolucionaram as nossas vidas desde que entraram no mercado em 1991. Estabeleceram a fundação de uma sociedade sem fios, livre de combustíveis fósseis, e são um dos maiores benefícios para a humanidade.” Embora nunca tenham trabalhado juntos, os três cientistas fizeram descobertas importantes na área, e John B. Goodenough,  com 97 anos,  tornou-se o mais velho laureado pelo Nobel da Química de sempre.

O MOMENTO DO ANÚNCIO DOS VENCEDORES DO NOBEL DA QUÍMICA 2019.

O Nobel da QUÍMICA na História

Prémio Nobel da Química é atribuído todos os anos pela Academia Real das Ciências da Suécia e regulado pela Fundação Nobel. Sendo que Alfred Nobel foi, entre outras ocupações, químico (tendo até estudado no estrangeiro para ganhar experiência no campo da Engenharia Química), esta era uma das áreas que mais prezava, e que via como podendo ter um maior impacto benéfico para a humanidade.

Cumprindo o desejo de Alfred, de premiar pessoas que contribuíssem para esse impacto positivo, o primeiro Nobel da Química foi atribuído, em 1901, ao holandês Jacobus Henricus van ‘t Hoff, pelas suas descobertas sobre as leis das dinâmicas químicas. À semelhança de John Bardeen, que ganhou duas vezes o Nobel da Física, também o  bioquímico inglês Frederick Sanger foi o Nobel da Química pela primeira vez em 1958 e novamente em 1980.  Para além disso, uma das mais ilustres vencedores desta distinção, Marie Curie, em 1911, foi também Nobel da Física em 1903, sendo a única mulher a ter recebido um Nobel em duas áreas científicas distintas.

Tendo havido 184 laureados pelo Nobel da Química desde a sua fundação, apenas cinco destes foram mulheres. Para além de Curie, a sua filha Irène Joliot-Curie (1935), a bioquímica britânica Dorothy Hodgkin (1964), a cientista israelense Ada Yonath (2009), e a vencedora da edição do ano passado, a engenheira química norte-americana Frances Arnold.

UMA CIENTISTA IGNORADA PELO nobel

Em 1944, ano em que o químico alemão Otto Hahn recebeu o Prémio Nobel da Química, pelas suas descobertas no domínio da fissão nuclear, uma outra cientista merecia o reconhecimento da Academia pelo seu trabalho na mesma área. Na verdade, foi Lise Meitner, uma física austríaca, quem cunhou o termo fissão nuclear e explicou pela primeira vez o processo, em 1939. Contudo, o facto de ser uma mulher judia, a trabalhar em Berlim, durante o regime nazi de Adolf Hitler, levou a que a mesma fosse ignorada pelo Comité.

Não só Hahn nunca reconheceu o contributo de Meitner na sua própria pesquisa, como a mesma foi forçada a deixar o seu trabalho como professora de Física no Instituto Kaiser Wilhelm e fugir para a Suíça. O erro cometido pela Fundação Nobel nunca foi retificado, contudo Meitner foi eleita Mulher do Ano, pelo National Women’s Press Clubem 1946, e, em 1949, recebeu a medalha Max Planck pela Sociedade Alemã de Físicos

Para além disso, o elemento 109, o mais pesado do universo, foi designado como “meitnério” em sua homenagem, pela União Internacional de Química Pura e Aplicada.

OTTO HAHN E LISE MEITNER NO LABORATÓRIO.

Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa