Primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed Ali distinguido com o Prémio Nobel da Paz

Prémio Nobel da Paz

O Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, pelos seus esforços para “alcançar a paz e a cooperação internacional” com os acordos de paz com a Eritreia. O anúncio foi feito pelas Academias sueca e norueguesa esta sexta-feira, depois de uma semana de distinções nas áreas da Medicina, Química, Física e Literatura.

“A paz não chega das acções de apenas uma parte. Quando o primeiro-ministro estendeu a sua mão, Isaias Afewerki [Presidente da Eritreia] agarrou-a e ajudou a formalizar o processo de paz entre os dois países”, justificou Berit Reiss-Andersen, líder do comité que atribui este prémio (jornal Público). O acordo de paz entre a Etiópia e a Eritreia foi assinado em 2018 pelos dois países, depois de quase 20 anos de um conflito que durou entre 1998 e 2000 e matou pelo menos 100 mil pessoas. Para alcançarem a paz, Ahmed Ali prometeu retirar o exército da região de Badme, agora reconhecida como território Eritreu, e Afewerki concedeu o acesso aos seus portos no Mar Vermelho.

O comité declarou que “ainda há muito trabalho a fazer na Etiópia”, mas que o primeiro-ministro deu os primeiros passos para dar aos cidadãos “esperança numa vida melhor”. Desde que assumiu o cargo, em abril de 2018, Abiy Ahmed Ali tentou alcançar a aministia de vários presos políticos, legalizou grupos opositores, lutou para acabar com o estado de emergência no país, acabou com a censura nos meios de comunicação e aumentou a importância do papel das mulheres na Etiópia, entre outros.

Prémio Nobel da Paz

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, cumprimenta Isaias Afwerki, presidente da Eritreia no palácio presidencial de Abu Dhabi, em Julho (via The National)

O Prémio Nobel da Paz na História

O Prémio Nobel da Paz é atribuído todos os anos pelo Comité Norueguês e regulado pela Fundação Nobel. É um dos cinco prémios estabelecidos, em 1895, pelo sueco Alfred Nobel. No seu testamento, Nobel expressou o seu desejo de conceder um Prémio da Paz à pessoa que, no ano anterior, “fosse o melhor ou fizesse o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela realização e promoção de congressos de paz”.

Desconhece-se a razão por que o inventor sueco escolheu esta categoria, mas pensa-se que a amizade que Nobel tinha com Bertha von Suttner, pacifista austríaca e primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel da Paz, em 1905, terá tido uma grande influência na sua decisão.

De forma semelhante às outras categorias, várias figuras internacionalmente conhecidas chegaram a ser nomeadas sem nunca serem laureadas com o Prémio Nobel da Paz. Entre elas, encontrava-se Adolf Hitler, nomeado em 1939 por um membro do Parlamento Sueco, E. G. C. Brandt. Aparentemente feita como uma crítica satírica ao debate político da altura, o político nunca pretendeu que a nomeação fosse levada a sério, declarando-se antifascista. As suas intenções, contudo, não foram bem recebidas na altura e a nomeação foi retirada. Joseph Stalin também foi nomeado em 1945 e 1948, pelos seus esforços em acabar com a II Guerra Mundial.

Jane Adams foi nomeada 91 vezes entre 1916 e 1931, ano em que lhe foi finalmente atribuído o prémio. Paralelamente, Emily Green Balch, Fridtjof Nansen e Theodore Roosevelt receberam o galardão no primeiro ano em que foram nomeados.

Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa