Nobel da Economia atribuído a Banerjee, Duflo e Kremer

Foram anunciados hoje, segunda-feira, os laureados com o último prémio Nobel a ser atribuído este ano. Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer foram os vencedores do Prémio Nobel da Economia de 2019 por conseguirem, segundo a Academia, “melhorar consideravelmente a nossa capacidade para combater a pobreza no globo”. Tendo trabalhado juntos (sendo que Abhijit Banerjee e Esther Duflo são, para além de parceiros, casados), os três economistas desenvolveram métodos inovadores para combater a pobreza, transformando por completo o campo da economia do desenvolvimento. 

A economista francesa e diretora do Laboratório de Ação contra a Pobreza, Esther Duflo, é a segunda mulher a receber esta distinção (tendo a primeira sido Elinor Ostrom, em 2009, pelo seu trabalho no âmbito da governação económica) e, aos 46 anos, é também a laureada com Nobel da Economia mais jovem até à data. Abhijit Banerjee, de nacionalidade norte-americana,  é professor de Economia da Fundação Ford no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e Michael Kremer, também norte-americano, é professor de Desenvolvimento de sociedades na Universidade de Harvard.

APÓS O ANÚNCIO DO PRÉMIO, Jakob Svensson, MEMBRO DO COMITÉ, EXPLICOU A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE Banerjee, Duflo e Kremer.

O Nobel da ECONOMIA na História

O Nobel da Economia foi instituído em 1986, a partir de uma doação que o Banco Central da Suécia fez à Fundação Nobel, aquando da comemoração do seu 300º aniversário.  Oficialmente designado como Prémio Banco da Suécia de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, este não faz parte dos cinco prémios criados por Alfred Nobel, apesar de ser anunciado e atribuído juntamente com os outros. 

Os primeiros vencedores desta distinção foram o economista norueguês Ragnar Frisch e o holandês  Jan Tinbergen, por terem desenvolvido modelos dinâmicos para a análise de processos económicos. Desde a sua criação, já foram atribuídos 51 prémios, que distinguiram 84 laureados – dos quais apenas 2 foram mulheres.

Apesar de ser um prémio destinado ao reconhecimento de contribuições impactantes na área da economia, ele pode ser (e já tem sido) atribuído a pessoas noutros ramos das ciências sociais – tais como, ciência política, psicologia e sociologia – desde que estas tenham impacto em questões económicas. 

UM PRÉMIO CONTROVERSO

Por o Nobel da Economia não ter sido um dos cinco prémios que Alfred Nobel mencionou no seu testamento, há quem questione se este deveria existir, e até mesmo quem defenda que este deve ser abolido. Um dos seus mais acérrimos críticos é Peter Nobel, advogado e bisneto de Alfred Nobel, que considera que nunca fez parte dos desejos do seu bisavó que houvesse um Prémio Nobel nesta área, argumentando que Alfred desprezava “pessoas para quem os lucros são mais importantes do que o bem-estar da sociedade”

Para além das críticas em volta da legitimidade do prémio, têm havido também alguns vencedores controversos. Entre eles, está Milton Friedman, economista e escritor norte-americano, que foi reconhecido com a distinção em 1976, pelo seu trabalho na área do monetarismo. Tendo sido acusado de apoiar a ditadura militar no Chile, após uma estadia de 6 dias no país (durante a qual Friedman se encontrou com Pinochet), a sua distinção foi alvo de inúmeros protestos internacionalmente e o seu discurso de aceitação chegou mesmo a ser interrompido por um protestante.

mILTON FRIEDMAN A ACEITAR O PRÉMIO NOBEL DA ECONOMIA, EM 1976.

Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa