Biblioterapia | “Todas as Almas”

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Há diversos estudos científicos que demonstram que ler melhora a nossa saúde. Neste consultório, recheado de estantes, partilhamos consigo as nossas bulas literárias. Dentro dos livros, há remédios para todos os males. Encontre o mais adequado para si, atente aos efeitos secundários e siga a posologia recomendada. 

Indicado para quem pretende aprender sobre diferenças culturais entre latinos e britânicos e refletir sobre os efeitos da solidão nos expatriados. Se sofre destes males, temos o remédio indicado para si.

Quem sabe se a (sua) cura não passa por aqui?

Javier Marías, Todas as Almas
Javier Marías "Todas as Almas"
Todas as Almas, de Javier Marías

Publicado originalmente em 1989, Todas as Almas tem agora a sua reedição em terras portuguesas, pela mão da editora Alfaguara. Nestas páginas, Marías exibe, de forma sublime, a ironia fina e a aguçada capacidade de reflexão sobre o maior mistério de sempre: os outros.

Baseada nos anos passados pelo autor em na Universidade de Oxford, a obra começa com o encontro de Claire Bayes, uma jovem professora, e o narrador, sem nome, também docente, desesperado por escapar ao tédio da conversa com um economista obeso. 

Clare e o nosso narrador não tardarão a explorar o fascínio mútuo em encontros furtivos em quartos de hotel. Nas horas deixadas vagas pelo pouco trabalho e pelo amor ilícito, o narrador vagueia pelas ruas de Oxford, cidade de abundantes vaidades inflamadas e de outras tantas almas perdidas. É na cidade dos pináculos que se cruza com o dramático destino do escritor John Gawsworth, enigmática figura saída de outros tempos.

Recordando os tempos de Oxford já confortavelmente instalado numa vida normal em Madrid, com emprego, mulher e filho, o nosso narrador não pode deixar de se interrogar sobre qual das vidas é mais real, sobre qual dos tempos ficará para sempre gravado em si.

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