As leituras de Patti Smith

FOTOGRAFIA: FLICKR

Conhecida como música, artista visual e escritora, Patti Smith, autora de livros como o bestseller Apenas miúdos ou o mais recente Devoção, é também uma leitora ávida. Em conversa com o jornal The Guardian, confessou ter-se apaixonado pelos livros mesmo antes de saber ler e recordou algumas das leituras que a marcaram indelevelmente.

o livro que mudou a sua vida:
Mulherzinhas, de Louisa M. Alcott

Para Patti, o clássico do século XIX sobre as irmãs Meg, Jo, Beth e Amy  foi o livro que mais impacto teve na sua vida. É, aliás, a Louisa M. Alcott que devemos a incursão de Patti Smith na literatura, uma vez que foi a personagem Jo March que a levou a querer ser escritora. 

Se pensarmos bem em Jo, a irmã  maria-rapaz das quatro, de convicções fortes, sonhos grandes e um amor pelos livros (tanto pela leitura como pela escrita), é fácil perceber porque a cantora norte-americana poderá ter-se identificado com ela.

No final deste ano, sairá uma nova adaptação cinematográfica deste livro, na qual Jo March será representada pela atriz irlandesa Saoirse Ronan. Veja o trailer aqui.

o livro que gostaRIA de ter escrito:
as aventuras de Pinóquio, de carlo collodi

Embora pudesse ter escolhido qualquer gigante da literatura, quando foi questionada acerca de qual o livro que gostaria de ter escrito, Patti optou por um clássico da literatura infantojuvenil. As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, o conto que serviu de inspiração para o clássico da Disney é, segundo a cantora, o livro perfeito para qualquer idade. 

Nas suas palavras, o livro pelo qual diz ter-se apaixonado aos sete anos de idade, aborda temas como a “criação, a guerra entre o Bem e o Mal, a redenção e a transfiguração” numa linguagem que apela a miúdos e graúdos.

o livro que mais influenciou a sua escrita:
The Thief's Journal, de Jean Genet

O livro mais autobiográfico de Jean Genet, o autor francês que viveu a maior parte da sua vida como ladrão, foi, para Patti, o livro que mais influenciou a sua escrita.

Embora fale apenas na influência que este teve no género em que escreve – “um misto entre autobiografia e ficção poética” – podemos, igualmente, encontrar semelhanças no tipo de temas abordados ou na forma como ambos exploram, de forma crua, a complexidade do íntimo humano.

O LIVRO QUE NÃO CONSEGUIU TERMINAR:
O PRÍNCIPE E O POBRE, de MARK TWAIN

Embora seja um livro relativamente curto, Patti Smith confessa não ter conseguido chegar ao fim do livro O Príncipe e o Pobre, de um dos mais conceituados escritores da literatura norte-americana, Mark Twain.

Embora não chegue a justificar a razão, a cantora diz quando tentou ler o livro sobre o filho do rei e o mendigo, que decidem trocar de papéis, a leitura deu-lhe tanta ansiedade que chegou a vomitar. Desde aí, diz que nunca o terminou, nem é capaz de o fazer. 

o livro que expandiu a sua mente:
o jOGO DAS CONTAS DE VIDRO, de HERMANN HESSE

A utopia O Jogo das Contas de Vidro do autor alemão Hermann Hesse  é, segundo Patti Smith, o livro que mais expandiu a sua mente. Passado no século XXIII, descreve uma comunidade mítica na qual uma elite intelectual condensa todo o conhecimento disponível da matemática, música, ciência e arte num jogo elaboradamente codificado que define os valores da sociedade. 

Para a cantora, este livro apresentou-lhe “um processo totalmente diferente de mapear o inteleto criativo”.

o livro que mais gosta de oferecer como presente:
The Children's Crusade, de MARCEL SCHWOB

Para Patti Smith, o livro The Children’s Crusade de Marcel Schwob nunca falha como presente. Profusamente elogiado pelo poeta Rainer Maria Rilke, conta a história das cruzadas de crianças que ocorreram no século XIII.

Embora tanto o livro como o seu autor tenham caído um pouco no esquecimento (não existindo sequer uma edição em português), Patti garante que é de uma beleza intemporal,  a que ninguém ficará indiferente.

O LIVRO QUE tem vergonha de ainda não ter lido:
o homem sem qualidades, de robert musil

O Homem sem Qualidades, do austríaco Robert Musil, é um daqueles livros que muita gente gosta de ter na estante mas poucos leram. Tendo sido publicado em três volumes, pela editora Dom Quixote, é considerado o maior projecto romanesco, “deliberada e quase necessariamente inconcluso e inconclusivo”, da literatura do século XX.

É, por isso, compreensível que também Patti confesse ter este livro na estante há anos e ainda por ler.  Contudo, conclui com a segunda resolução: “Acredito que está na hora.”

O LIVRO Pelo qual gostaRIA de ser lembrada:
woolgathering, de patti smith

Embora ainda não tenha sido editado em português, Patti Smith considera que Woolgathering é a obra pela qual deveria ser lembrada enquanto escritora. Este livro autobiográfico, que pode também ser lido como um romance de formação, conta a jornada de autoconhecimento de Patti, no seu percurso para se tornar artista.

Para Smith, vencedora do National Book Award em 2010, este livro é a expressão mais pura da sua imaginação.

Conheça a lista completa dos livros que marcaram Patti Smith aqui.

Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa