Jack O'Lantern Outubro 31

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5 Curiosidades sobre o Halloween

Jack O'Lantern

Prepare as abóboras à porta de sua casa, mas feche as janelas para o caso de algo sinistro querer entrar. Sente-se no sofá e aprecie os melhores livros de terror, embalado por I Put a Spell on Youde Nina Simone. Cuidado, caro leitor: hoje é Dia das Bruxas e já William Shakespeare acautelava em Macbeth: “Something wicked this way comes”.

Antes de se mascarar e entrar no espírito deste 31 de outubro assustador, descubra os feitiços que deram origem à spooky season.

Samhain

Autor desconhecido (via CVLNATION)

1. O Samhain Irlandês dos celtas

As origens do Halloween remontam aos Celtas, povo que viveu maioritariamente na atual Irlanda, Reino Unido e norte de França há cerca de dois mil anos. Todos os anos, de 31 de outubro para 1 de novembro, organizava-se o festival Samhain, onde as pessoas acendiam fogueiras e usavam trajes próprios para afastar espíritos e demónios.

O dia 1 de novembro era, para os Celtas, o fim do verão e das colheitas e o início de um novo ano, por norma associado ao inverno gelado e à morte humana. Estes povos acreditavam que, na noite de 31 de outubro, as fronteiras que separavam os mortos dos vivos se abriam e os espíritos do Além podiam caminhar na Terra. As famílias colocavam um lugar extra à mesa, para receber os familiares já falecidos e, à porta, deixava-se fruta e vinho para que fantasmas e demónios não trouxessem desgraça às suas casas.

Para celebrar este evento, os Druidas – os sacerdotes dos Celtas – montavam fogueiras enormes, onde as populações se juntavam para queimar colheitas e animais, em sacrifício às suas divindades. Durante o festival, usavam-se trajes que consistiam em cabeças e peles de animais, e tentava adivinhar-se o futuro.povo

5 curiosidades sobre o Halloween
2. A origem das abóboras DECORADAS

As abóboras decoradas com caras assustadoras são dos adereços mais populares nesta época do ano. Denominadas de Jack O’Lanterns, tiveram a sua origem num mito irlandês sobre um homem apelidado de Stingy Jack (Jack Avarento). Reza a lenda que este homem convidou o Diabo para beber com ele e, honrando a sua alcunha, não queria pagar as bebidas. De alguma forma, Stingy Jack conseguiu convencer o Diabo a transformar-se numa moeda, para conseguir pagar tudo. Assim que o fez, o avarento homem guardou a moeda no bolso, junto de uma cruz de prata, o que fez com que o Diabo não conseguisse voltar à sua forma original.

Jack libertou o Diabo, eventualmente, sob a condição de que a sua alma não fosse levada para o Inferno, caso morresse. Quando chegou o seu fim, Deus não permitiu que ele fosse para o Céu. O Diabo,  chateado por ter sido enganado por Jack e mantendo-se fiel à sua palavra, não permitiu também que ele fosse para o Inferno. Em vez disso, libertou-o, numa noite escura, com apenas carvão em brasa para iluminar o seu caminho. Stingy Jack colocou o carvão num nabo e, desde então, tem andado a vaguear pela Terra.

Assim começou a tradição de decorar abóboras na época de Halloween. Um hábito que começou com nabos e batatas, em vez de abóboras, onde os irlandeses esculpiam caras aterradoras em memória do mito de Stingy Jack, depressa popularizado como Jack O’Lantern devido à sua sentença eterna. 

Doce ou Travessura
3. Rezar pela alma dos mortos em troca de comida

Aquilo que conhecemos hoje comummente como “Doçura ou Travessura?” é, na realidade, a junção de uma série de tradições de vários povos que existiram ao longo dos séculos. 

A prática nasceu, também, com os Celtas. No Samhain, as pessoas mascaravam-se de espíritos malignos, o que funcionava como um mecanismo de defesa na noite de 31 de outubro, quando todos os espíritos ultrapassavam o véu que dividia os mundos. Se encontrassem um verdadeiro espírito maligno, ele iria achar que se tratava, na realidade, de um deles.

Quando a Igreja Católica se enraizou pela Europa, os seus costumes misturaram-se com os do povo celta. Em vez de demónios, as pessoas começaram a vestir-se como anjos ou santos. As classes pobres e, mais tarde, as crianças, vestidas com trajes religiosos, andavam de porta em porta, implorando por comida ou dinheiro em troca de canções ou até de orações pelos familiares falecidos. 

Paralelamente, na Escócia e na Irlanda, manteve-se uma atividade semelhante, pagã, onde as pessoas se mascaravam e cantavam canções, recitavam poemas, contavam piadas e realizavam outro tipo de representações em troca dos seus doces que, na altura, consistiam em fruta, nozes ou moedas.

5 curiosidades halloween
4. Gatos pretos trazem má sorte

De todos os mitos e lendas que protagonizam à volta do Halloween,  a associação do gato preto ao azar é das mais conhecidas e propagadas. Em grande parte, esta ligação deve-se ao Papa Gregório IX que, na Idade Média, os descreveu como a encarnação de Satanás. Paralelamente, são várias as canções e lendas que relacionam o gato preto a algo diabólico, seja como ingredientes para feitiços, familiares de bruxas ou até como feiticeiras disfarçadas de animal. 

A crença de que os gatos pretos eram companheiros fiéis de bruxas manteve-se durante séculos. Há registos até, pelo menos ao século XVII, onde mineiros e pescadores (ou indivíduos que trabalhavam em profissões perigosas) encontravam um gato preto a caminho do trabalho e voltavam para casa, aterrorizados. 

Embora já desmistificado, ainda existem muitas pessoas que acreditam que gatos pretos dão azar, principalmente em Portugal e nos Estados Unidos da América, onde alguns locais mantêm a tradição de sacrificar um gato preto no decorrer das celebrações do Halloween.

John Keats

Retrato de John Keats, por William Hilton (via Greshman College)

5. Um poeta nascido a 31 de outubro

John Keats nasceu a 31 de outubro de 1795. O poeta inglês foi uma das grandes figuras da segunda geração da Literatura Romântica do século XIX no Reino Unido, a par de nomes como Lord Byron e Percy Shelley, marido da autora de Frankenstein, Mary Shelley.

Provavelmente disposto a honrar o seu nascimento, Keats escreveu o poema ‘Tis the Witching Time of Night, baseado numa das frases mais populares de Hamlet, de William Shakespeare

“‘Tis now the very witching time of night, when churchyards yawn and hell itself breathes out Contagion to this world: now could I drink hot blood, and do such bitter business, as the day would quake to look on”, in Hamlet (II), de William Shakespeare

John Keats morreu aos 25 anos, em 1821, vítima da tuberculose que assolava a época. Os seus contemporâneos faleceram igualmente em circunstâncias trágicas: Percy Shelley morreu um ano depois, afogado, numa viagem de barco a caminho de Itália e Lord Byron em 1824, na Grécia, prestes a lutar numa batalha contra o Império Otomano.

Comemore o Halloween connosco:
Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa