Eça de Queiroz Novembro 25

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Eça de Queiroz: Singularidades de um português no mundo

Eça de Queiroz
Imagem via Visit Baião

A 25 de novembro de 1845, nascia, na Póvoa de Varzim, José Maria de Eça de Queiroz. Os pais, José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e Carolina Augusta Pereira de Eça, não eram casados e, por isso, Eça de Queiroz foi batizado em Vila do Conde, com o nome da mãe incógnito. Os pais só se casariam quando ele tinha já quatro anos.

Fez a escolaridade obrigatória no Porto, no Colégio da Lapa. Depois, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Lá, conheceu Teófilo Braga e Antero de Quental. É durante os tempos de estudante universitário que começam a surgir os seus primeiros trabalhos jornalísticos. O jornalismo e a advocacia haviam de caminhar juntos durante algum tempo.

Coimbra, Évora, Lisboa

Em 1966, já formado em Direito, Eça muda-se para Lisboa e inscreve-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça. Ao mesmo tempo, começa a publicar folhetins no jornal Gazeta de Portugal. Os dez volumes dos folhetins são posteriormente publicados no livro Prosas Bárbaras.

No final de 1866, muda-se para Évora, onde funda, e passa a dirigir, o jornal Districto de Évora. Em julho do ano seguinte abandona a direção do jornal e regressa à capital, onde volta a colaborar com a Gazeta de Portugal.

Em dezembro desse ano, forma-se o Cenáculo, do qual Eça fará parte, juntamente com Antero de Quental, Salomão Saragga, Jaime Batalha Reis, Augusto Fuschini e Ramalho Ortigão, entre outros.

Eça pelo mundo

Com Antero de QuentalBatalha ReisEça cria Carlos Fradique Mendes. Em 1869, são publicados os primeiros versos sob este pseudónimo, no jornal Revolução de Setembro. No mesmo ano, viaja pela Palestina, Síria e Egito. Esta viagem inspira-o e, no regresso a Lisboa, publica no Diário de Notícias as histórias dessa experiência. É também neste jornal que publica, entre julho e setembro de 1870, O Mistério da Estrada de Sintra, em colaboração com Ramalho Ortigão. Por esta altura, é nomeado Administrador do Concelho de Leiria.

Com Ramanho Ortigão viria a começar, no ano seguinte, As Farpas. Nesse ano realizam-se também as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense. Em 1872, é nomeado cônsul nas Antilhas Espanholas e muda-se para Havana, onde fica durante dois anos. É, posteriormente, transferido para Newcastle-upon-Tyne, no Reino Unido. A adaptação não é fácil e, por isso, acaba por se dedicar exclusivamente à escrita. É lá que, em 1875, termina O Primo Basílio, publicado três anos depois. No mesmo ano, publica na Revista Ocidental, de Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

Em 1877, começa a colaborar com o jornal A Actualidade, publicando até maio de 1878 as crónicas Cartas de Inglaterra. É nessa altura que começa a escrever A Capital, que só seria publicado a título póstumo. No verão de 1878, é transferido para o consultado Bristol. 

Imagem via Pinterest
Do casamento a Paris

A 10 de fevereiro de 1886, casa com Emília de Castro Pamplona, regressando, depois, a Bristol, passando por Madrid e Paris, desta vez acompanhado pela mulher. No ano seguinte nasce o primeiro filho, no Porto.

1888 é um ano intenso: em fevereiro nasce, em Londres, o seu segundo filho. No final de agosto, é nomeado cônsul em Paris e toma posse a 20 de setembro. Nesse ano, publica, n’O Repórter, Cartas de Fradique Mendes. É também nesse ano que publica Os Maias, aquele que é, talvez, o seu livro mais notável, numa clara crítica à sociedade portuguesa da época. No ano seguinte, já em Paris, sai o primeiro número da Revista de Portugal, dirigida pelo próprio Eça. No penúltimo dia do ano, nasce o terceiro filho, na capital francesa.

Em 1892, visita Beire e Santa Cruz do Douro, que virá a ser a Tormes de A Cidade e as Serras, onde hoje se situa a Fundação Eça de Queiroz. Três anos depois, organiza, com José SarmentoHenrique Marques, o Almanaque Enciclopédico para o ano de 1896. No ano seguinte a organização repete-se.

Em 1897, recebe a Legião de Honra Francesa. No mesmo ano, começa a publicar a Revista Moderna, pelo brasileiro Martinho Carlos Arruda Botelho. Nas duas primeiras edições publica dois contos, A PerfeiçãoJosé Matias. Um dos números é totalmente dedicado ao escritor português e é lá publicado o início d’A Ilustre Casa de Ramires. No ano seguinte, publica na mesma revista o conto O Suave Milagre. A escrita ocupa-lhe cada vez mais tempo.

Em 1899, está a preparar três romances: A Correspondência de Fradique MendesA Cidade e as SerrasA Ilustre Casa de Ramires. Em maio, visita o Douro pela última vez e regressa a França.

Eça de Queiroz entra na década de 1900 doente. Em fevereiro, viaja de Paris para o sul de França. No verão, mais doente, viaja com Ramalho Ortigão para a Suíça. No entanto, o seu estado de saúde piora e decide regressar a Paris, a 9 de agosto, onde chega dois dias depois. Morreu a 16 de agosto.

Alguns dos seus escritos viriam a ser publicados a título póstumo, pelos filhos, assim como muitas obras viram já várias reedições publicadas. Diplomata e escritor, foi uma voz ativa e inigualável na literatura e cultura portuguesa. 174 anos após o seu nascimento, 119 desde que morreu, ainda hoje a sua obra se mantém atual no retrato que traça da sociedade, ainda que as suas observações se aplicassem a uma época completamente diferente.

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Sofia Costa Lima
Sofia Costa Lima
Coordenação Editorial: Marisa Sousa