5 Curiosidades sobre Jane Austen

Hulton Archive / Revista Cult

Os seus livros baixaram, significativamente, as expectativas das nossas histórias de amor na vida real. Há quase três séculos que nos rendemos às suas personagens ficcionais e nos surpreendemos com os seus ideais, tão à frente do seu tempo. Jane Austen é, ainda hoje, uma das escritoras mais influentes, chegando a marcar presença, inclusive, no Instagram. Hoje, dia 16 de dezembro, celebramos o seu aniversário partilhando 5 curiosidades sobre a escritora inglesa, autora de Orgulho e Preconceito

1. O pai de Jane fez tudo o que podia para que a filha fosse bem-sucedida

Jane Austen nasceu em Steventon, Hampshire, filha de George Austen, académico e reitor, e Cassandra Austen. Graças à vasta biblioteca que o pai tinha em casa, Jane desenvolveu uma paixão desmedida pela escrita e pela leitura desde muito cedo. George chegou, inclusive, a levar as suas filhas para um internato, para que elas fossem devidamente educadas. 

Quando a escritora britânica terminou First Impressions, o livro que seria conhecido internacionalmente por Pride and Prejudice, foi o seu pai que levou o manuscrito até um editor, em Londres, para ser revisto (a publicação foi rejeitada sem ter sido sequer lida). Mais tarde, em 1810, o irmão de Jane, Henry Austen, vendeu Sense and Sensibility a um outro editor, Thomas Egerton.

2. Jane Austen ficou noiva... Por um dia

No dia 2 de dezembro de 1802, duas semanas antes do seu 27.º aniversário, Jane Austen teve – e aceitou! – uma proposta de casamento. A jovem escritora e a irmã, Cassandra Austen, visitavam duas amigas da família, em Manydown, quando o irmão delas, Harris Bigg-Wither, a pediu em casamento. Na altura, Jane dependia dos irmãos, não tinha independência financeira e estava “desiludida com o amor”, pelo que decidiu aceitar o noivado com Harris.

No dia seguinte, contudo, a autora rompeu o noivado, admitindo que “a posição e a fortuna” que Harris lhe oferecia não eram capazes de alterar “a sua personalidade”. A documentação sobre essa altura relata que a situação foi de tal modo constrangedora que Jane fugiu de Manydown imediatamente. O incidente, ainda assim, serviu-lhe de inspiração para as suas obras: em Orgulho e Preconceito, Charlotte Lucas fica noiva de Mr. Collins de forma muito similar a Jane e Bigg-Wither.

3. Todos os seus trabalhos foram publicados anonimamente

Desde Sensibilidade e Bom Senso, até Emma, todas as obras de Jane Austen foram publicadas em anonimato. A obra que relata a vida das irmãs Dashwood foi assinada com o cognome “A Lady”; os romances seguintes, por seu lado, estavam creditados com a frase: “by the author of Sense and Sensibility”

É provável que Jane Austen tenha escolhido publicar incognito como forma de se proteger, uma vez que a literatura continuava a ser vista, no século XVIII, como uma atividade predominantemente masculina. Se a escritora fosse interrompida enquanto escrevia, escondia rapidamente o seu trabalho para que ninguém lhe perguntasse sobre o que estava a fazer.  

Ilustração: autor desconhecido
4. Jane Austen sabia fazer cerveja

Quando Jane não estava ocupada a escrever romances, preenchia parte do seu dia-a-dia a produzir cerveja. Esta atividade era muito habitual na época e sempre associada ao quotidiano das mulheres, responsáveis pela sua produção.

De acordo com Laura Boyle, responsável pela  biografia de Jane, a família Austen estava cheia de produtores caseiros de bebidas alcoólicas – não apenas de cerveja, mas também de vinho e hidromel. Para além disso, havia o hábito de beber cerveja como uma alternativa mais saudável do que a água ou qualquer outra bebida que propagasse doenças. 

A especialidade de Jane Austen era um tipo de cerveja feito com melaço, que tinha um sabor ligeiramente mais doce. 

5. Morte por envenenamento?

A autora viu apenas quatro das suas seis obras publicadas em vida. Morreu a 18 de julho de 1817, com 41 anos, com sintomas possivelmente associados a cancro. Em 2017, no entanto, a British Library surgiu com uma nova teoria: Jane Austen teria sido envenenada por arsénio, talvez presente na água que ingeria ou numa medicação indevidamente tomada.

A Biblioteca justifica esta teoria com base dificuldades de visão de Jane Austen e da descoloração de pele de que a autora se queixava, por escrito. Estes dois sintomas podem ser indicativos de uma exposição a arsénio. No entanto, críticos desta teoria afirmam que há tantas possibilidades de Jane ter sido envenenada, como de ter morrido devido a uma doença grave. 

Conheça a obra de Jane Austen:
Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa