5 curiosidades sobre Isaac Asimov

Se fosse vivo, Isaac Asimov completaria hoje 100 anos, contudo há quem pense que o autor andou sempre um século à frente do seu tempo. Nascido na Rússia, o escritor e bioquímico americano, previu alguns dos avanços tecnológicos que só viriam a materializar-se 100 anos depois de ter escrito sobre eles.  Embora seja considerado, a par de Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, um dos três grandes da ficção científica (em 1966, a série Fundação foi eleita a melhor série de ficção científica de todos os tempos), Asimov escreveu quase 500 livros sobre os mais diversos temas, incluindo obras humorísticas, históricas ou de caráter religioso.

No dia do seu centenário, recordamos a sua obra e a sua defesa incansável da ciência e da busca pelo conhecimento, partilhando consigo cinco curiosidades.

‘Se o conhecimento pode criar problemas, não será através da ignorância que os resolveremos.’

1. a escrita como escape à realidade

Em Brooklyn, EUA, para onde se mudou quando tinha apenas três anos, a sua infância foi passada a ajudar os pais na loja de doces de que eram proprietários. Sendo, desde muito novo, forçado a levantar-se mais cedo do que as crianças da sua idade e a trabalhar longas horas, Asimov encontrou nas revistas de ficção científica, que vendiam na loja, um verdadeiro refúgio. Da leitura passou à escrita e, aos 19 anos, publicou a sua primeira obra. Desde aí, nunca mais parou de escrever, sendo considerado um dos autores mais prolíficos de sempre. 

Por várias vezes, questionaram o autor acerca do segredo para ter conseguido escrever quase 500 livros. Em primeiro lugar, acreditava que era uma verdadeira compulsão sua e, talvez, na sua opinião, a única efetivamente grave, que justificasse a necessidade de tratamento psicoanalítico. Para além disso, aconselhava todos os aspirantes a escritor a ler muito e nunca deixar de aprender sobre os mais variados temas. Em relação à inspiração, era algo céptico, tendo chegado a afirmar que o seu método para obter ideias para as suas histórias era pensar, pensar, pensar, até sentir vontade de se matar. Quem disse que ter boas ideias era fácil?  

2. um autor prolífico em diversos géneros

Asimov não só escreveu um grande número de obras, como abrangeu uma grande variedade de géneros. Para além da ficção científica, escreveu algumas dezenas de livros sobre ciência, 14 livros sobre História, um guia da Bíblia em dois volumes, e  versões anotadas de autores e obras literárias clássicas como Shakespeare ou O Paraíso Perdido de John Milton. Mais perto do final da sua vida, escreveu uma série de livros humorísticos, três volumes autobiográficos e até mesmo um guia sexual satírico. 

Como se isso não fosse suficiente, ainda se aventurou noutras artes, tendo colaborado com o autor da série televisiva Star Trek, Gene Roddenberry, para garantir uma maior credibilidade científica às personagens e ao enredo. Já no campo da música, cedeu a um pedido de um grande fã seu, um dos membros dos Beatles, Paul McCartney, que propôs a Asimov que escrevesse um argumento para um musical sobre ficção científica. Infelizmente, nunca chegou a realizar-se, mas o argumento encontra-se nos arquivos da Universidade de Boston, com o título Five and Five and One.

3. um homem de inteligência rara

Embora não se identificasse com alguns dos seus membros, Isaac Asimov fazia parte da MENSA, a mais antiga e célebre sociedade de QI elevado do mundo.  Já em 1984,  a Associação Humanista Americana (uma organização que defende a responsabilidade do ser humano de levar uma vida pessoal de realização ética, que aspire ao bem maior da humanidade),  atribuiu-lhe o título de Humanista do Ano, tendo servido como presidente da associação até à sua morte (altura em que foi substituído pelo autor de Matadouro 5, Kurt Vonnegut). Foi ainda um dos membros fundadores do Comité para a Investigação Céptica, uma organização criada para encorajar o livre-pensamento e a investigação crítica de alegações paranormais.

Durante a sua vida, Asimov confessou ter conhecido apenas dois homens com um nível intelectual superior ao seu. Um deles, era o cientista e especialista em inteligência artificial Marvin Minsky. O outro, era o astrónomo e autor Carl Sagan.

4. as três leis da robótica

FRAME DO FILME EU ROBOT, DE ALEX PROYAS, BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO DE ASIMOV.

Eu, Robot tornou-se um dos livros mais populares de Isaac Asimov, graças à sua adaptação ao cinema, por Alex Proyas, em 2004. O que muita gente não sabe é que, embora tenha sido um escritor checo, Karel Čapek, a cunhar a palavra robot, foi Asimov quem cunhou o termo robótica e definiu as chamadas Leis da Robótica. Estas consistem em três leis destinadas a tornar possível a coexistência de robôs inteligentes e humanos. São elas as seguintes:

– 1ª Lei: Um robot não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal;

– 2ª Lei: Um robot deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei;

– 3ª Lei: Um robot deve proteger a sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Mais tarde, Asimov acrescentou a “Lei Zero”, que, acima de todas as outras, declara que um robot não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.

5. O FUTURO EM 1964

Quando, em 1964, Isaac visitou a exposição mundial de Nova Iorque  subordinada ao tema “Paz através da compreensão”, onde pôde ter contacto com as mais recentes tecnologias, começou a imaginar que outros progressos traria o futuro próximo. Num ensaio publicado no The New York Times, no mesmo ano, imaginou o, então longínquo, ano de 2014, com eletrodomésticos que funcionariam sem fios, robots para auxiliar nas tarefas domésticas, a colonização da lua ou (aquele clássico da ficção científica) e carros voadores.

Nem todas as suas previsões foram acertadas. Algumas, como a da colonização da lua ou os carros voadores, ainda parecem longe de acontecer, contudo, Asimov conseguiu prever que nos encaminhávamos para um mundo cada vez mais automatizado, em que as máquinas vão, gradualmente, substituir os humanos nas tarefas mais rotineiras. E, ao contrário dos pensadores, que viram na importância progressiva da tecnologia e da produtividade o fim das profissões mais associadas à criatividade, Asimov acreditava que estes seriam os únicos trabalhos em que os humanos nunca poderiam vir a ser substituídos pelas máquinas e, por isso, altamente privilegiados. Escrevia Asimov: “Os poucos sortudos que poderão estar envolvidos no trabalho criativo serão a verdadeira elite da humanidade, sozinhos vão fazer mais do que servir uma máquina.”

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Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa