10 Curiosidades sobre Haruki Murakami

haruki-murakami

Haruki Murakami é um dos autores mais influentes da literatura contemporânea. Constantemente apontado, pelo público, como um dos preferidos para o Prémio Nobel da Literatura – galardão que, até à data, ainda não lhe foi concedido -, são vários os romances que marcaram a vida dos leitores. 

Fatalista, por vezes surrealista e com uma nuance de realismo mágico, há algo de absolutamente nostálgico em tudo o que escreve, permitindo sempre, ao leitor, a sua própria interpretação de qualquer história que o autor cria. 

Ainda assim, e mesmo perante o sucesso internacional da sua obra, Murakami permanece discreto, submerso no seu trabalho e nos seus livros, parecendo evitar o limiar entre escritor e celebridade. Para comemorar o seu aniversário, a 12 de janeiro, partilhamos algumas curiosidades deste escritor tão singular. 

Murakami no bar Peter Cat, em 1978.
1. A paixão pelo jazz

A paixão de Haruki Murakami por jazz não é propriamente recente; de facto, em 1978, no final dos seus 20 anos, o escritor japonês abriu um bar de jazz, ao qual lhe deu o nome de Peter Cat, em homenagem ao seu gato

“Eu sonho. Por vezes penso que é a única coisa certa que se deve fazer.” – in Sputnik, Meu Amor
2. A Epifania surgiu com um jogo de basebol

No website oficial do autor, é possível aceder a uma entrevista relacionada com uma das suas obras mais populares, Sputnik, Meu Amor, onde Murakami explica que sentiu uma urgente vontade de escrever um romance enquanto assistia a um jogo de basebol. 

Esse momento fulcral, retratado como uma epifania, é descrito detalhadamente na introdução de Wind/Pinball, disponível, em inglês, no site da Literary Hub

GETTY IMAGES
3. Um tradutor que não traduz as suas próprias obras

Para além de escritor, Haruki Murakami é, também, tradutor. Foram muitos os seus trabalhos de tradução ao longo dos anos, mas o autor nunca teve interesse em traduzir os seus romances para a língua inglesa. 

Com efeito, o escritor tem tradutores recorrentes para os seus livros, não trocando, com eles, mais do que um ou outro argumento ocasional, sobre a tradução de algumas palavras.

4. Um dos seus objetivos de vida passava por traduzir O Grande Gatsby

Num ensaio sobre tradução, o autor de A Morte do Comendador revelou que, por volta dos 30 anos, começou a afirmar que iria traduzir O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, quando chegasse aos 60 anos. Como nunca encontrou uma versão, em japonês, que lhe agradasse, resolveu fazê-la, ele mesmo. 

haruki-murakami
haruki murakami
“Por mais talentos com que tenhas sido dotado, nem sempre consegues encher a barriga, ao passo que, se tiveres um instinto apurado, isso garante-te que nunca passarás fome.” in 1Q84
5. A minúcia no processo criativo

Para além de reescrever as suas obras diversas vezes, até estar satisfeito com o resultado, não há nada que ele mais abomine do que o primeiro rascunho.

Numa entrevista ao The Guardian, em 2014, refere que os primeiros rascunhos são como “uma espécie de tortura” para o autor, garantindo que, à medida que vai reescrevendo e editando, fica mais feliz e realizado ao ver o seu trabalho a ficar cada vez melhor. 

6. Murakami não gosta de prazos

Na mesma entrevista ao jornal britânico, o autor japonês admitiu não gostar dos prazos com que é confrontado para entregar as suas obras. “Não gosto de prazos… Quando estiver acabado, está acabado. Mas antes disso, nunca está terminado.” 

MICHAL CIZEK / AFP / Getty Images
7. A opinião da sua mulher é importante

Yoko Takahashi é uma presença constante na vida de Haruki Murakami. Casados desde 1971, conheceram-se na Universidade de Waseda, em Tóquio – e nunca mais se separaram. 

Em várias entrevistas, o escritor revelou que a mulher é a primeira leitora de qualquer uma das suas obras, ajudando-o no processo criativo e sugerindo-lhe quando deve parar de escrever um rascunho. 

8. Um escritor sem amigos-escritores

Com a excepção de nomes como Mary Morris, Joyce Carol Oates e Toni Morrison, mencionados de forma muito breve em What I Talk About When I Talk About Running, Murakami nunca se deu ativamente com a comunidade literária, justificando-se com o facto de ser solitário por natureza, o que fez com que, ao longo da sua vida, nunca participasse em grupos. 

haruki-murakami
haruki-murakami
“Se apenas leres os livros que toda a gente lê, apenas podes pensar o mesmo que os outros estão a pensar.” in Norwegian Wood
9. Gatos em todo o lado

Os gatos são uma constante na obra de Haruki Murakami. Em Kafka à Beira-Mar, por exemplo, a personagem principal, Kafka Tamura, não consegue passar por um gato sem lhe fazer festas, e em Crónica do Pássaro de Corda, a história gira em torno do gato desaparecido de Toru Okada. 

Quando questionado acerca da presença constante deste animal nos seus livros, Murakami respondeu: “Deve ser porque eu, pessoalmente, gosto de gatos. Sempre os tive por perto desde pequeno. Mas não sei se eles têm outro significado.”

10. Escrever a partir do subconsciente

Um leitor regular de Murakami sabe que pode esperar qualquer coisa das suas narrativas. Desde corvos que falam a peixes voadores, o surrealismo marca, de forma regular, a escrita do autor japonês. Haruki Murakami apelida-se de observador em vez de contador de histórias, afirmando escrever sempre a partir do seu subconsciente. 

O escritor descreveu o seu processo criativo como uma exploração do eu. “Eu sou uma pessoa realista, uma pessoa prática, mas quando escrevo ficção vou para lugares secretos e estranhos em mim mesmo”, disse em entrevista ao The Independent

Postais: Leya / Casa das Letras
Fontes: Bustle, The Paris Review, Paperback Paris
haruki-murakami
Sónia Rodrigues Pinto
Sónia Rodrigues Pinto
Coordenação Editorial: Marisa Sousa