Janeiro 27

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O 75.º Aniversário da Libertação de Auschwitz

“Vós que viveis tranquilos / nas vossas casas aquecidas / vós que encontrais regressando à noite / comida quente e rostos amigos / considerai se isto é um homem”.

É assim que Primo Levi inicia o relato sobre a sua experiência enquanto prisioneiro dos campos de concentração de Auschwitz, no livro Se isto é um homem.

Localizado no sul da Polónia, Auschwitz, que foi o maior campo de concentração operado pela Alemanha Nazi, funcionou como uma verdadeira fábrica de morte, de maio de 1940 a janeiro de 1945. Embora o número exato de mortos seja impossível de determinar, estima-se que mais de um milhão de prisioneiros (entre eles, judeus — a maioria —, mas também prisioneiros políticos e criminosos comuns) perderam as suas vidas neste campo, sendo que a estimativa do número total de mortos no Holocausto chega aos 6 milhões.

Apesar de existirem inúmeros relatos da vida nos campos de concentração, as palavras são largamente insuficientes para descrever as atrocidades que neles foram cometidas. Levi manifestava a necessidade de se inventarem palavras mais duras do que fome, cansaço ou dor para aquilo que viveu. Já o judeu grego Marcel Nadjari, cujo testemunho foi descoberto dentro de uma garrafa, em 1980, fala num sofrimento que não só a linguagem não consegue descrever como “a mente humana não consegue imaginar”.

Escreve o filósofo Edmund Burke que “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. Para Elie Wiesel, escritor e sobrevivente de Auschwitz, que recebeu o Nobel da Paz em 1986, apagar a memória do Holocausto é não só arriscar que o mesmo volte a acontecer, é “matar duas vezes”. É, por isso, fundamental a comemoração de datas como a da libertação de Auschwitz, assinalada a 27 de janeiro, e designada pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

É também por isso que ainda é tão importante ler e escrever sobre Auschwitz. Para que a memória daqueles que perderam as suas vidas injustamente perdure como uma mancha na consciência da Humanidade e, sobretudo, para que as gerações posteriores evitem cometer os mesmos erros. E para que quem conheça as histórias destes que a História injustiçou, ajude a manter viva a sua memória, partilhando-as e lutando por um futuro em que a sua repetição seja impossível. Como escrevia Anne Frank, também prisioneira de Auschwitz:

“Como é maravilhoso que ninguém precise de esperar um único momento antes de começar a melhorar o mundo.”

Beatriz Sertório
Coordenação Editorial: Marisa Sousa